O encontro desta terça-feira, 30, entre Michelle Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, na sede nacional do PL, em Brasília, não foi uma reunião protocolar. Foi uma operação de contenção de danos. Depois de expor publicamente o atrito com Flávio Bolsonaro por causa da costura do PL no Ceará em torno de Ciro Gomes, Michelle levou ao presidente do partido um recado incômodo: pode desistir da pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. A decisão ainda não foi tomada, mas o simples fato de ela colocar essa hipótese na mesa já obriga a direita brasiliense a refazer contas que pareciam fechadas.
Para o PL-DF, o problema é maior do que trocar um nome na urna. Michelle não é apenas uma pré-candidata; é um ativo eleitoral nacional, com entrada no eleitorado feminino, evangélico e bolsonarista. Sem ela, a dobradinha com Bia Kicis perde a peça de maior tração popular e o partido terá de escolher entre insistir em chapa própria, reposicionar Bia como nome central ou abrir negociação com aliados. O que parecia uma vitrine conservadora de duas mulheres fortes pode virar, de uma hora para outra, um balcão de emergência. Em política, quando o plano A pede licença, o plano B costuma chegar suando.
O MDB-DF é o primeiro a sentir cheiro de oportunidade. Ibaneis Rocha, pressionado pela sinalização de Celina Leão em favor de Michelle e Bia, ganha novo argumento para reivindicar espaço na chapa majoritária. O DFMobilidade já mostrou que Celina declarou apoio a Michelle e Bia e isolou Ibaneis no tabuleiro do Senado. Se Michelle recuar, o ex-governador volta a respirar politicamente, embora isso não signifique vaga automática: significa apenas que a mesa voltou a ter cadeira vazia, e cadeira vazia em eleição nunca fica sem pretendente.
O efeito atinge também PP, Republicanos, PDT, PT e demais atores do DF. Celina terá de equilibrar a aliança com o PL sem parecer refém da crise interna bolsonarista; Bia Kicis pode ganhar protagonismo, mas também herdaria uma disputa mais pesada; Leila do Vôlei e Érika Kokay observam a divisão adversária como quem vê o muro do vizinho trincar. Como o DFMobilidade já registrou em Celina e Michelle puxam direita no DF, o campo conservador tem votos, nomes e musculatura. O desafio, agora, é transformar força em unidade antes que a própria chapa comece a fazer oposição a si mesma.




