Pesquisa Correio/OPINIÃO coloca governadora na frente para o Buriti e ex-primeira-dama na liderança para o Senado, enquanto campo conservador tenta evitar divisão interna
A primeira rodada da pesquisa Correio/OPINIÃO Inteligência Política colocou duas mulheres no centro do tabuleiro eleitoral do Distrito Federal em 2026: Celina Leão (PP), na disputa pelo Palácio do Buriti, e Michelle Bolsonaro (PL), na corrida ao Senado. O levantamento mostra que a direita tem força eleitoral no DF, mas também revela um risco conhecido em ano de eleição: muita candidatura para pouco espaço político.
Celina aparece na liderança da pesquisa estimulada para o Governo do Distrito Federal, com 27,8% das intenções de voto. O inelegível ex-governador José Roberto Arruda (PSD) vem em seguida, com 23,5%. Leandro Grass (PT) aparece na terceira posição, com 9,2%.
O dado confirma Celina como principal nome da base governista para a sucessão local. A governadora também lidera na pesquisa espontânea, quando o entrevistado cita livremente o nome em quem votaria. Nesse cenário, ela tem 14%, contra 9,3% de Arruda.
No Senado, Michelle Bolsonaro lidera a disputa com 38,8% das intenções de voto. A senadora Leila do Vôlei (PDT), candidata à reeleição, aparece com 30,2%, seguida por Érika Kokay (PT), com 25%. Como o DF escolherá duas vagas ao Senado, o levantamento indica hoje uma disputa marcada por candidaturas femininas fortes, com Michelle ocupando a dianteira do campo conservador.
A força de Michelle também aparece no recorte do primeiro voto. Mesmo se a eleição fosse para apenas uma vaga, a ex-primeira-dama lideraria, com 25,3% da preferência. Leila aparece com 13,3%, Érika Kokay com 16%, Ibaneis Rocha (MDB) com 12,9% e Bia Kicis (PL) com 6,1%.
O resultado reforça uma movimentação já observada pelo DFMobilidade. Em reportagem recente, o portal mostrou que Celina declarou apoio a Michelle Bolsonaro e Bia Kicis para o Senado, gesto que aproximou ainda mais a governadora do núcleo bolsonarista e reduziu o espaço político de Ibaneis Rocha na composição majoritária.
Na prática, Celina tenta transformar a vantagem administrativa em capital eleitoral. Com pouco mais de dois meses no comando do Buriti, a governadora tem aprovação de 45,7%, segundo outro recorte da mesma pesquisa Correio/OPINIÃO. A desaprovação é de 31,9%, enquanto 19,3% não souberam avaliar.
O desafio da governadora, porém, não está apenas nos adversários formais. Está também dentro do próprio campo da direita. A pesquisa mostra Arruda competitivo para o Buriti, Izalci Lucas tentando espaço, Ibaneis pressionando por vaga ao Senado e o PL dividido entre nomes de forte apelo eleitoral. É a velha direita brasiliense tentando caber em uma fotografia só — e, pelo visto, faltando enquadramento.
O DFMobilidade já havia apontado esse ambiente de tensão ao mostrar que Michelle Bolsonaro contestou a pré-candidatura de Izalci Lucas ao GDF, episódio que expôs ruídos internos no PL e fortaleceu a leitura de que parte da legenda prefere uma composição alinhada à gestão de Celina.
Outro ponto sensível é o desempenho de Ibaneis Rocha. Na disputa ao Senado, o ex-governador aparece com 22,6% no consolidado de primeiro e segundo votos, mas também carrega a maior rejeição entre os pré-candidatos avaliados: 54,6% entre os entrevistados que conhecem sua trajetória disseram que não votariam nele. Michelle, por outro lado, aparece como a segunda com menor rejeição entre os nomes testados para o Senado.
Esse contraste aumenta o peso político de Michelle no arranjo conservador. Ela não apenas lidera numericamente como também preserva capacidade de expansão, especialmente junto ao eleitorado bolsonarista. Para Celina, a aliança com Michelle representa uma ponte direta com a principal base ideológica da direita no DF.
O cenário também dialoga com análise anterior do DFMobilidade, que já havia mostrado que pesquisas esquentavam os bastidores e colocavam Celina e Ibaneis no centro das articulações para 2026. Agora, com novos números na mesa, a diferença é que Celina aparece mais consolidada, enquanto Ibaneis surge mais pressionado.
A pesquisa foi realizada presencialmente entre 11 e 15 de junho, em todas as regiões administrativas do Distrito Federal. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número DF-08746/2026.
Com Celina liderando para o Buriti e Michelle à frente para o Senado, a direita brasiliense entra na reta pré-eleitoral com uma fotografia clara: há força, há votos e há nomes competitivos. O problema, como quase sempre, é transformar vantagem em unidade. Porque em política, quando todo mundo quer sentar na janela, alguém acaba perdendo o ônibus.




