Argentina contra-ataca e acusa Lula de isolar o Brasil por “questões ideológicas”

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Chancelaria argentina lamenta rebaixamento das relações diplomáticas e afirma que interesses permanentes dos dois países não podem ficar subordinados às disputas pessoais dos governantes

 

A Argentina reagiu nesta terça-feira (4) à decisão do governo Lula de reduzir a representação diplomática brasileira em Buenos Aires ao nível de encarregado de negócios. Em nota, a chancelaria argentina classificou a medida como unilateral e acusou o Palácio do Planalto de aprofundar o isolamento regional do Brasil por “questões puramente ideológicas”.

 

O rebaixamento ocorreu depois de Javier Milei voltar a chamar Lula de “ladrão”, “corrupto” e “ex-presidiário”. O embaixador brasileiro Julio Bitelli, convocado anteriormente para consultas, não deverá retornar ao posto. Com isso, a maior relação diplomática e comercial da América do Sul passa a ser administrada por um representante de categoria inferior — um gesto institucional produzido por uma briga cada vez mais pessoal entre os dois presidentes.

Na resposta, Buenos Aires afirmou que também enfrentou declarações políticas e manifestações de apoio cruzado entre dirigentes dos dois países, mas preferiu não converter essas divergências em incidentes diplomáticos. “Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional”, declarou o governo argentino, acrescentando que as relações entre Estados devem atender aos interesses dos povos, e não às conveniências eleitorais ou pessoais dos governantes.

 

A nota atinge diretamente a narrativa do governo Lula ao apresentar o Brasil como o responsável por transportar a polarização doméstica para o Itamaraty. Enquanto Brasília tenta punir Milei por sua participação na campanha brasileira e pelos ataques ao presidente, a Argentina devolve a acusação: diz que Lula estaria usando a política externa como extensão de uma disputa ideológica. No fim, dois dos maiores países do Mercosul perdem espaço para uma diplomacia de palanque — e a conta, como sempre, não será paga pelos presidentes.

 

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