Governadora declarou preferência pelas duas pré-candidatas do PL ao Senado durante evento de Thiago Manzoni e reforçou aliança com o bolsonarismo no DF.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), deu nesta terça-feira, 9 de junho, o sinal político mais claro até agora sobre sua composição para o Senado em 2026. Em evento do Partido Liberal (PL) que marcou o lançamento da pré-candidatura do deputado distrital Thiago Manzoni à Câmara dos Deputados, Celina declarou apoio às pré-candidaturas de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, às duas vagas do DF no Senado.
A frase escolhida pela governadora foi direta e carregada de simbolismo eleitoral. “Eu sei da dificuldade que é ser mulher, por isso, espero que tenhamos duas mulheres no Senado Federal”, disse Celina, segundo registro publicado pelo GPS Brasília. A fala coloca a governadora no centro da articulação conservadora do DF e, ao mesmo tempo, reduz o espaço político do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), que também é tratado nos bastidores como postulante ao Senado.
O movimento não é pequeno. Nas eleições de outubro, o eleitorado escolherá duas vagas para o Senado no Distrito Federal, dentro da renovação de dois terços da Casa. Segundo a Justiça Eleitoral, estarão em disputa 54 cadeiras de senador no país, sendo duas por estado e duas pelo DF.
A declaração de Celina ocorre no momento em que a relação entre ela e Ibaneis atravessa a fase mais delicada desde a transmissão do cargo no Palácio do Buriti. Em 30 de março, a Câmara Legislativa oficializou a posse de Celina no comando do Executivo local após a renúncia de Ibaneis, que deixou o governo para ficar apto à disputa eleitoral de 2026.
Na prática, ao apontar Michelle e Bia como nomes preferenciais para o Senado, Celina reforça uma ponte com o eleitorado bolsonarista e com o PL, hoje peça-chave para qualquer composição majoritária competitiva no DF. Michelle preside o PL Mulher e se tornou uma das principais figuras nacionais do campo conservador. Bia Kicis, por sua vez, é deputada federal em exercício pelo PL-DF e cumpre mandato na Câmara dos Deputados até 2027.
O evento também fortaleceu Thiago Manzoni dentro da engrenagem eleitoral do PL. Deputado distrital pela legenda, Manzoni lançou sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados com a presença de lideranças que compõem o núcleo mais influente da direita brasiliense. Não por acaso, a noite serviu menos como ato isolado de pré-campanha e mais como fotografia antecipada da chapa que Celina pretende ver unida em outubro. Política, às vezes, é isso: uma foto antes da ata.
O gesto tem impacto direto sobre o MDB-DF. Ibaneis chegou ao governo em 2019, reelegeu-se em 2022 com Celina como vice e deixou o cargo em 2026 com o projeto natural de disputar o Senado. O problema é que a sinalização pública da governadora em favor de duas pré-candidatas do PL embaralha esse roteiro e impõe ao MDB uma escolha difícil: insistir em candidatura própria ao Senado ou negociar espaço em uma composição comandada por Celina.
A crise interna emedebista ganhou força nas últimas semanas com disputas pelo comando regional da legenda e divergências sobre a condução política do grupo. O GPS Brasília informa que o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, designou o deputado federal Isnaldo Bulhões para atuar como interventor político e tentar pacificar o conflito local.
Celina também aproveitou o ato para responder ao que classificou como retaliações da antiga gestão. “Eu assumi o governo em um momento muito difícil. Ser governadora é dar a cara ao seu governo, por isso acredito que estou sofrendo tanta retaliação”, afirmou, segundo o GPS Brasília. A declaração amplia a leitura de que a ruptura política deixou de ser apenas ruído de bastidor e entrou definitivamente no discurso público.
Apesar da movimentação, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ainda são pré-candidatas. As candidaturas formais dependem das etapas previstas no calendário eleitoral, incluindo convenções partidárias, registro e homologação pela Justiça Eleitoral. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro de 2026.
Com a declaração desta terça-feira, Celina deixa uma mensagem objetiva ao campo político do DF: sua aliança preferencial para o Senado passa pelo PL e por duas candidaturas femininas de forte apelo conservador. Para Ibaneis, o recado é menos confortável. O ex-governador, que ajudou a construir o grupo que governa Brasília há mais de sete anos, vê agora a sucessão ao Senado escapar da zona de conforto e entrar no território duro da disputa real.
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