BB, Bradesco, Itaú e Santander ampliam proteção diante do avanço do risco de inadimplência, enquanto juros elevados e endividamento pressionam famílias e empresas
Os quatro maiores bancos do país — Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander — somaram R$ 91,082 bilhões em custo de crédito no primeiro semestre de 2026, montante 23% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O crescimento das despesas destinadas a absorver perdas potenciais funciona como um termômetro do risco: mesmo com o início da redução da taxa básica de juros, o sistema financeiro se prepara para atravessar meses de crédito mais seletivo e maior dificuldade de pagamento.
O movimento ocorre com a Selic em 14% ao ano e encontra respaldo nos indicadores acompanhados pelo Banco Central. O BC já apontou comprometimento elevado da renda, expansão dos ativos problemáticos entre pessoas físicas e aumento da probabilidade de inadimplência em diferentes modalidades. Na prática, os bancos reforçam o colchão financeiro antes que novos atrasos cheguem integralmente aos balanços — cautela que tende a aparecer também na concessão de empréstimos, nos limites oferecidos aos clientes e no preço final do crédito.
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A situação não é uniforme entre as instituições. Banco do Brasil e Santander apresentam sinais mais fortes de pressão, enquanto Itaú e Bradesco atravessam o ciclo com indicadores relativamente mais controlados. No Itaú, por exemplo, o custo do crédito alcançou R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre, crescimento anual de 7,4%, mas a inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 1,9%. No BB, o peso da carteira do agronegócio e a deterioração observada também entre pessoas físicas continuam exigindo atenção especial.
O aumento das provisões não significa que R$ 91 bilhões já tenham virado calote. Trata-se de uma antecipação contábil do risco, mecanismo utilizado justamente para evitar que uma eventual deterioração da carteira surpreenda os bancos. O sinal econômico, contudo, é difícil de ignorar: enquanto consumidores convivem com dívidas elevadas e empresas carregam financiamento caro, as instituições financeiras preferem reforçar as defesas. Quando os bancos começam a guardar mais dinheiro para quem talvez não pague, o aviso sobre a qualidade do crédito costuma chegar antes da conta.




