Banco Central reduz juros pela quarta reunião consecutiva, porém mantém alerta sobre inflação, risco fiscal e cenário externo
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu nesta quarta-feira, 5 de agosto, a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e representa o quarto corte consecutivo desde março, levando os juros ao menor patamar desde março de 2025.
O Banco Central reconheceu que a atividade econômica apresenta moderação gradual e que a inflação desacelerou. Ainda assim, o índice permanece acima do teto da meta, enquanto as expectativas do mercado apontam inflação de 5% em 2026 e 4,2% em 2027. A projeção do próprio Copom para o IPCA é de 5,1% neste ano, 3,8% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028.
O comunicado também deixou um recado pouco confortável ao governo Lula: o Copom continuará observando os efeitos da política fiscal sobre a inflação e os ativos financeiros. Em outras palavras, Brasília pode até comemorar mais um corte, mas a trajetória dos juros continuará condicionada ao controle das despesas, à confiança nas contas públicas e ao comportamento dos preços.
Para consumidores e empresas, a redução de 0,25 ponto percentual dificilmente produzirá alívio imediato. Financiamentos, cartão de crédito, cheque especial e capital de giro continuam submetidos a juros elevados e spreads bancários robustos. O Copom deixou a porta aberta para uma nova redução em setembro, mas sem compromisso — porque, na economia brasileira, o juro desce de escada e a fatura costuma subir de elevador.
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