Endividamento alcança o maior nível da série histórica; famílias de baixa renda concentram atrasos e dificuldades para quitar as contas
O endividamento das famílias brasileiras alcançou 82% em julho, o maior patamar registrado desde o início da pesquisa, em 2010. O índice avançou 0,4 ponto percentual em relação a junho, quando estava em 81,6%, e cresceu 3,5 pontos na comparação com julho de 2025. Na prática, oito em cada dez lares possuem parcelas de cartão, empréstimos, carnês, financiamentos ou outras dívidas a vencer.
A inadimplência apresentou uma discreta redução, de 29,9% para 29,8%, mas o alívio termina praticamente na casa decimal. A parcela das famílias que afirma não ter condições de pagar os débitos atrasados subiu para 12,3%. Entre os endividados, 29,5% da renda mensal está comprometida, em média, e 19% destinam mais da metade dos rendimentos ao pagamento das dívidas. É uma melhora que aparece na planilha, mas ainda não chegou ao bolso.
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O peso é maior entre os brasileiros que recebem até três salários mínimos: 84,9% estão endividados, 38,5% possuem contas atrasadas e 17,8% admitem não ter condições de regularizar as pendências. Entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o endividamento também avançou, chegando a 72%, mas a inadimplência ficou em 15,1%. O contraste mostra que contrair dívida não significa necessariamente estar insolvente, mas, na base da pirâmide, qualquer fatura fora do lugar pode derrubar o orçamento inteiro.
O novo recorde foi registrado durante o governo Lula e expõe a distância entre os indicadores apresentados no discurso econômico e a realidade doméstica. Mesmo com o início da redução da Selic, o crédito continua caro e o comprometimento da renda permanece elevado. A projeção aponta que o endividamento pode chegar a 82,6% até outubro, enquanto a inadimplência deverá voltar a superar 30%. Quando o crédito sustenta o consumo por tempo demais, a conta sempre chega — e, desta vez, já encontrou quase o país inteiro.






