O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na quinta-feira (1º), que o governo discutia com o Banco Central a possibilidade de impedir que instituições financeiras fornecessem mais de um cartão de crédito por pessoa. Durante entrevista ao Flow Podcast, Lula relacionou a proposta ao elevado endividamento das famílias e declarou que seria necessário “moralizar” a concessão de crédito no país.
A declaração indicava uma restrição direta à quantidade de cartões que cada consumidor poderia receber. Lula criticou ainda os juros cobrados no crédito rotativo e afirmou que a facilidade para gastar sem dinheiro disponível contribui para o aumento das dívidas. Segundo ele, o tema estaria sendo tratado com a autoridade monetária.
Menos de 24 horas depois, porém, o presidente esclareceu publicamente sua posição. Na sexta-feira (2), Lula afirmou que “cada cidadão tem o direito de ter quantos cartões de crédito quiser” e direcionou sua crítica aos bancos que enviam cartões sem solicitação dos clientes. Segundo a Reuters, uma fonte a par das discussões econômicas afirmou que limitar cada consumidor a apenas um cartão não estava em análise técnica pelo governo.
O envio ou a habilitação de cartão de crédito sem solicitação expressa do consumidor já é proibido pelas normas vigentes. O próprio Banco Central informa que instituições emissoras não podem encaminhar ou ativar um cartão sem autorização do titular. Assim, entre a declaração de quinta e o esclarecimento de sexta-feira, o discurso presidencial passou da possibilidade de limitar a quantidade de cartões para o combate à concessão não solicitada e aos juros considerados excessivos.




