Executivos de companhias aéreas de todo o mundo se reúnem no Rio de Janeiro para a 82ª Assembleia Geral Anual e Cúpula Mundial do Transporte Aéreo da IATA, entre os dias 6 e 8 de junho, em um evento sediado pelo LATAM Airlines Group.
O principal desafio em debate é a crise de querosene de aviação provocada pelo conflito militar envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã, que ameaça os lucros recordes esperados para o setor neste ano.
Antes do início do conflito, em 28 de fevereiro, a projeção era de um lucro líquido global de 41 bilhões de dólares para as companhias em 2026, com receitas ultrapassando a marca de 1 trilhão de dólares pela primeira vez.
No entanto, os preços do querosene de aviação dispararam mais de 120% após o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma via estratégica por onde passam 20% do comércio global de petróleo e gás natural e 75% das importações de querosene da Europa.
Somente nos Estados Unidos, as companhias aéreas gastaram 56,4% a mais com combustível em março na comparação com o mês anterior, totalizando 5,06 bilhões de dólares.
Para lidar com a crise, o mercado da aviação adotou estratégias drásticas de contenção, como o aumento das tarifas cobradas dos passageiros, a redução de rotas e da capacidade operacional geral.
O cenário resultou no corte de 20 mil voos por parte de companhias como a Lufthansa e na redução de 6% na capacidade planejada pela Air Transat entre os meses de maio e outubro.
Há a expectativa no mercado de que as aéreas mais frágeis enfrentem falências reais ou necessitem de refinanciamentos antes do inverno devido à persistência dos preços elevados.
Governos e empresas buscam formas de amenizar os efeitos da crise.
Na Índia, foi aprovado um fundo de estabilização de cerca de 1 bilhão de dólares para limitar os preços do querosene para transportadoras domésticas, mantendo o valor em 75,6 rúpias por litro, bem abaixo da taxa de mercado de 104,9 rúpias, por meio de adiantamentos sem juros às comercializadoras de petróleo.
Paralelamente, as companhias que operam na Europa trabalham para tranquilizar os clientes, garantindo em comunicados que não há escassez afetando as operações de verão.
O alívio na pressão de abastecimento é atribuído às importações oriundas da América do Norte e da África, somadas ao aumento da produção nas refinarias europeias.
Apesar do otimismo das empresas, o setor financeiro mantém cautela, com alertas de que o abastecimento na Europa poderia cair abaixo do limite crítico de escassez de 23 dias estabelecido pela Agência Internacional de Energia no mês de junho.
A situação é analisada por especialistas como uma crise de abastecimento em câmera lenta, onde o combustível continua disponível em fontes alternativas, mas com custo muito mais elevado e maior complexidade logística.
O cenário é classificado de forma geral como uma ruptura sem precedentes nas finanças, operações e gestão de riscos do setor aéreo.
Para mais atualizações sobre o mercado de aviação e trânsito, acesse o portal dfmobilidade.






