Depois do Spark EUV e do Captiva EV, General Motors confirma nova etapa em Horizonte e reforça o Nordeste como rota estratégica da indústria automotiva brasileira
A General Motors prepara mais um avanço na sua estratégia de eletrificação no Brasil. A montadora confirmou que pretende iniciar, ainda em 2026, a montagem de um terceiro modelo no Polo Automotivo do Ceará, instalado em Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza. A novidade amplia o peso da unidade cearense dentro do plano nacional da Chevrolet e consolida a Planta Automotiva do Ceará, a PACE, como um dos principais laboratórios industriais da nova mobilidade no país.
O anúncio foi feito pelo presidente da GM América do Sul, Thomas Owsianski, durante agenda ligada ao início da produção do Chevrolet Captiva EV no Ceará. Segundo o executivo, o novo veículo será eletrificado, mas não será 100% elétrico. O nome do modelo ainda não foi revelado pela montadora. A informação sinaliza que a Chevrolet pode abrir uma nova frente tecnológica no país, além dos elétricos puros já em montagem local.
A movimentação ocorre poucos meses depois da entrada em operação da linha do Spark EUV e da confirmação do Captiva EV. Como o DFMobilidade já havia mostrado na matéria Chevrolet anuncia produção do Captiva EV no Ceará, o SUV elétrico foi anunciado para se juntar ao Spark EUV na linha instalada na PACE, dentro de uma estratégia de escalada gradual da eletrificação da Chevrolet no mercado brasileiro.
O terceiro modelo deve marcar uma mudança importante no portfólio nacional da GM. Ao informar que o carro não será totalmente elétrico, a empresa abre espaço para uma solução híbrida ou outra tecnologia eletrificada ainda inédita para a marca no Brasil. Fabio Rua, vice-presidente da GM América do Sul, afirmou que se trata de uma tecnologia já disseminada no mercado, mas ainda não produzida pela Chevrolet no país.
Na prática, a GM se movimenta para ocupar diferentes faixas da eletrificação. O Spark EUV atua como SUV elétrico compacto. O Captiva EV mira um segmento de maior porte e valor agregado. O terceiro modelo, ainda guardado a sete chaves — segredo automotivo, que é quase cofre de banco com roda — deve permitir à Chevrolet disputar consumidores que desejam eletrificação, mas ainda veem limites de preço, autonomia, infraestrutura ou hábito de uso nos modelos 100% elétricos.
A chegada do Captiva EV já representou uma nova etapa para o polo cearense. De acordo com a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará, a produção do modelo começou em 17 de junho de 2026, na PACE, com previsão de ampliação de 50% no quadro de funcionários da unidade. O governo cearense informou ainda que Spark EUV e Captiva EV colocam o Brasil como primeiro país fora da China a produzir esses modelos da Chevrolet.
A PACE também pode ganhar escala maior nos próximos anos. Rodrigo Teixeira, vice-presidente da Comexport e acionista da planta, afirmou que uma futura fase de expansão poderá dobrar a capacidade produtiva da unidade, chegando a até 50 mil veículos por ano. A estrutura também estuda a instalação de fornecedores sistemistas e até uma fábrica de baterias, o que mudaria o peso industrial do projeto.
O avanço da GM acontece em um momento de disputa intensa pela mobilidade elétrica no Brasil. Enquanto montadoras chinesas ampliam presença, marcas tradicionais tentam acelerar a nacionalização de parte da cadeia para reduzir dependência externa, ganhar competitividade e escapar da pressão tributária sobre importados.
Esse ponto já foi tratado pelo DFMobilidade na reportagem Governo Lula encarece carros elétricos e empurra mobilidade limpa para o luxo, que mostrou como o aumento gradual do imposto de importação sobre veículos eletrificados pode encarecer modelos trazidos de fora e, ao mesmo tempo, pressionar empresas a buscar montagem ou produção local.
A eletrificação, porém, não depende apenas da fábrica. Ela também exige rede de recarga, preço competitivo e confiança do consumidor. No Distrito Federal, esse movimento já começa a aparecer com mais força. O DFMobilidade mostrou no guia Pontos de recarga elétrica no DF que Brasília já conta com mais de 360 eletropostos e está entre os maiores mercados de veículos eletrificados do país.
O caso da GM no Ceará mostra que a transição energética deixou de ser apenas discurso de salão, daqueles com cafezinho morno e promessa quente. Agora, a disputa está no chão de fábrica, na logística, na cadeia de fornecedores e no bolso do consumidor.
Com Spark EUV, Captiva EV e um terceiro modelo eletrificado a caminho, a Chevrolet tenta se reposicionar em um mercado que muda rápido. A aposta no Ceará revela uma estratégia clara: aproximar a produção do consumidor brasileiro, reduzir vulnerabilidades externas e criar musculatura industrial em um setor que será decisivo na próxima década.
O nome do novo modelo ainda não foi divulgado. Mas o recado industrial já está dado: a GM quer transformar o Ceará em vitrine nacional da sua nova fase no Brasil.




