A Comissão Europeia está se estruturando para impor novos direitos compensatórios sobre veículos híbridos plug-in fabricados na China, expandindo de forma significativa o seu pacote de defesas comerciais que, desde outubro de 2024, já atinge as importações de modelos totalmente elétricos a bateria.
De acordo com informações de bastidores do setor automotivo e declarações de altos funcionários da União Europeia, a nova taxação tem como alvo principal as grandes montadoras asiáticas, a exemplo de BYD, Chery e SAIC, e poderá entrar em vigor de forma imediata assim que a maioria dos estados-membros do bloco aprovar a resolução.
Essa ampliação do escopo tarifário representa um esforço escalonado de Bruxelas para blindar a indústria automobilística local contra o que o bloco classifica como concorrência desleal, decorrente de subsídios estatais massivos aplicados por Pequim em sua cadeia de produção.
A movimentação para fechar o cerco às importações automotivas ganha força em meio à recente cúpula de líderes da União Europeia, cujo debate central foi inteiramente dominado pelo crescente desequilíbrio comercial com a China.
Estatísticas recentes apontam que o superávit comercial chinês em relação à Europa ultrapassou a marca dos 360 bilhões de euros anuais, o que se traduz em um déficit diário aproximado de 1 bilhão de euros para o mercado europeu.
A pressão para frear esse volume de importações tornou-se ainda mais urgente após o fechamento do mercado norte-americano, impulsionado por altas tarifas impostas pelos Estados Unidos, o que acabou redirecionando uma enxurrada de veículos e exportações asiáticas diretamente para os portos europeus.
Das 21 investigações antidumping em andamento no bloco hoje, 18 miram exclusivamente fabricantes chineses.
Apesar da postura protecionista consideravelmente mais rígida, a cúpula diplomática em Bruxelas tenta calibrar as ações para evitar uma guerra comercial aberta e irrestrita.
O objetivo estratégico das lideranças europeias é encontrar um equilíbrio delicado entre a dissuasão financeira e a diplomacia internacional.
As discussões giram em torno da necessidade imperativa de diversificar as cadeias de abastecimento e proteger setores industriais vitais, impondo regras como a exigência de múltiplos fornecedores alternativos, mas mantendo, ao mesmo tempo, um nível saudável e necessário de engajamento econômico com o mercado chinês.




