Aeroportos de Roma cogitam suspender biometria de fronteira da UE para evitar colapso no verão

Foto: Pixabay
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O novo sistema biométrico de Entrada/Saída (EES) da União Europeia está sob forte pressão e ameaça causar um verdadeiro caos logístico na alta temporada de verão.

Marco Troncone, diretor executivo da Aeroporti di Roma, concessionária responsável pelos movimentados terminais de Fiumicino e Ciampino, alertou que a tecnologia se mostrou incompatível com o enorme volume de passageiros esperado para o período.

Diante do risco iminente, ele sinalizou que suspender temporariamente as verificações biométricas pode ser a única saída prática para contornar o gargalo e evitar um desastre operacional, uma vez que é matematicamente impossível concluir todos os registros exigidos em tempo hábil.

A crise de mobilidade aérea não se limita à Itália e já gera atritos institucionais severos.

Durante o congresso anual da ACI Europe em Praga, o presidente da entidade, Stefan Schulte, adotou um tom duro ao exigir que os políticos europeus parem de fingir que a situação está sob controle e que o EES funciona perfeitamente.

Schulte cobrou urgência na concessão de total flexibilidade para que as autoridades nacionais de fronteira possam suspender o sistema sempre que as filas saírem do controle.

Pelas regras atuais do Regulamento UE 2025/1534, existe um mecanismo temporário de flexibilidade que permite a suspensão das operações por períodos de até seis horas, mas o temor do setor é de um colapso contínuo que ultrapasse o mês de setembro.

Os dados apresentados pelas principais associações da aviação endossam o nível de alerta máximo.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) projeta que os passageiros enfrentarão esperas extenuantes de até seis horas nos grandes hubs europeus.

O impacto financeiro dessa ineficiência também é catastrófico: um levantamento do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) indicou que atrasos constantes nas fronteiras podem afugentar até 41 milhões de visitantes, colocando em risco mais de US$ 45,4 bilhões em receitas do turismo.

Apesar do reconhecimento por parte da agência de fronteiras Frontex de que o sistema pode levar até dois anos para se estabilizar, a Comissão Europeia continua defendendo a eficácia do EES e atribui as enormes filas a déficits de infraestrutura preexistentes e à falta de pessoal nas imigrações.

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