O acordo preliminar estabelecido entre os Estados Unidos e o Irã para o encerramento das hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz provocou uma queda imediata nos preços do petróleo.
O pacto, anunciado no domingo e com cerimônia formal de assinatura prevista para a sexta-feira, 19 de junho, reabrirá o corredor logístico que estava efetivamente fechado desde o final de fevereiro.
No entanto, analistas do setor de energia alertam que a retomada dos fluxos globais de petróleo e gás aos níveis anteriores ao conflito levará meses, e em casos estruturais mais graves, poderá se estender por anos, devido à complexidade de normalizar o tráfego no ponto de estrangulamento marítimo mais crítico do mundo.
As projeções para a recuperação comercial indicam um processo gradual e demorado. Economistas da Capital Economics estimam que os fluxos de energia atingirão apenas 80% dos níveis pré-guerra até o mês de setembro, previsão corroborada pelo presidente da Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi, que projeta pelo menos quatro meses para alcançar essa marca.
Segundo levantamentos, os campos afetados poderiam retornar a 70% da produção em três meses e a 90% em seis meses, considerando uma retomada operacional cautelosa.
O cenário logístico atual aponta que cerca de 600 embarcações comerciais, incluindo aproximadamente 250 petroleiros, permanecem retidas no Golfo Pérsico.
As autoridades marítimas reforçaram que o bloqueio americano aos portos iranianos continuará em vigor até a execução oficial do cessar-fogo, orientando as frotas a não tentarem a travessia sem autorização explícita.
A normalização do tráfego enfrenta barreiras financeiras e estruturais severas.
Os prêmios de seguro contra riscos de guerra chegam a custar de 1% a 4% do valor do casco da embarcação por travessia, representando um aumento exorbitante em relação às taxas quase nulas cobradas antes da crise.
Além dos entraves securitários, há danos profundos à infraestrutura, como os ataques de mísseis à Cidade Industrial Ras Laffan, no Qatar, que destruíram 17% da capacidade de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do país
Com reparos complexos estimados entre três e cinco anos, a QatarEnergy precisou declarar força maior em contratos de longo prazo.
A Agência Internacional de Energia calcula que mais de 14 milhões de barris diários seguem fora de operação, o que criará um déficit prolongado e uma sobrecarga na tentativa de reabastecimento dos estoques globais nos próximos anos.




