Ações de companhias aéreas da América Latina disparam com queda do petróleo após acordo EUA-Irã

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Nesta segunda-feira, as ações das companhias aéreas da América Latina registraram forte alta, impulsionadas pela queda expressiva do petróleo no mercado internacional.

O recuo ocorreu em decorrência do acordo preliminar de paz estabelecido entre os Estados Unidos e o Irã, que abre caminho para a reabertura do Estreito de Ormuz e o alívio nos custos de combustível que pressionavam o setor.

O otimismo com a retomada logística do fluxo de energia refletiu-se imediatamente nos papéis das principais empresas da região, com a Azul registrando uma valorização de quase 6%.

A LATAM Airlines teve uma subida superior a 5%, seguida pela mexicana Volaris, que também avançou 5%, pelo Grupo Aeromexico, com ganho de 3%, e pela Copa Holdings, que apresentou alta de cerca de 2,6%.

O barril do petróleo Brent sofreu uma queda superior a 4%, atingindo a marca de aproximadamente US$ 83, o menor nível registrado em três meses. A movimentação dos preços foi uma reação à declaração do presidente Donald Trump na plataforma Truth Social, confirmando a finalização do acordo.

O memorando de entendimento foi validado pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, e a cerimônia de assinatura formal foi confirmada para a sexta-feira, 19 de junho, na Suíça, pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif.

A disrupção no Estreito de Ormuz já durava cerca de quatro meses, consequência direta dos ataques militares conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã em fevereiro.

Esse bloqueio havia elevado os custos operacionais drasticamente, levando a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) a projetar gastos globais com combustível na casa dos US$ 350 bilhões em 2026.

Apesar do impacto financeiro positivo e imediato, o banco J.P. Morgan destacou que as margens das companhias devem melhorar a curto prazo, mas os preços do petróleo tendem a se manter relativamente elevados a médio prazo.

Especialistas de mercado alertam que a normalização física do escoamento de energia enfrentará gargalos operacionais complexos

. O processo de desminagem do estreito, por exemplo, pode levar de algumas semanas até seis meses, enquanto o restabelecimento seguro dos movimentos de embarcações comerciais exigirá de 30 a 45 dias adicionais.

Para as companhias aéreas latino-americanas, que foram fortemente penalizadas desde o final de fevereiro com a compressão de margens e a necessidade de aumentar tarifas, a sustentação de uma queda prolongada nos custos operacionais será vital para a recuperação e a estabilização financeira do setor.

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