Nova tarifa de 25% dos EUA amplia pressão sobre o Brasil e expõe desgaste comercial do governo Lula
Os Estados Unidos abriram uma nova frente de pressão contra o Brasil ao propor a aplicação de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções para alguns itens. A medida foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, no âmbito da investigação da Seção 301, instrumento usado por Washington para reagir a práticas consideradas injustas, discriminatórias ou prejudiciais ao comércio norte-americano.
A proposta ainda será submetida a consulta pública. O cronograma oficial prevê prazo até 22 de junho de 2026 para pedidos de participação em audiência, envio de comentários por escrito até 1º de julho e audiência pública em 6 de julho, em Washington. Ou seja: a tarifa ainda não entrou em vigor, mas já colocou o governo brasileiro diante de mais um teste diplomático — daqueles em que discurso inflamado costuma render manchete, mas não necessariamente resultado.
Segundo o USTR, a investigação concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal seriam “irracionais ou discriminatórias” e afetariam o comércio dos Estados Unidos. Entre os pontos citados estão decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, o favorecimento ao Pix, tarifas diferenciadas concedidas a produtos do México e da Índia, entraves na proteção de patentes e falhas no combate à pirataria e ao desmatamento ilegal.
A nova ameaça tarifária aprofunda uma crise comercial que já vinha se arrastando desde 2025. O DFMobilidade já havia mostrado que, após o tarifaço de 50% imposto pelos EUA, Lula acionou a Lei da Reciprocidade Econômica por meio da Camex em uma tentativa de reagir politicamente às medidas americanas. O episódio está relacionado à matéria Após tarifaço de 50% dos EUA, Lula aciona Lei da Reciprocidade.
O histórico recente também inclui a ordem executiva de julho de 2025, quando Washington impôs tarifa adicional de 40% a produtos brasileiros, somada à tarifa-base de 10% em parte das mercadorias. À época, o próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que 35,9% das exportações brasileiras aos EUA, o equivalente a US$ 14,5 bilhões em 2024, ficariam sujeitas à tarifa adicional de 50%.
O governo brasileiro tem sustentado que a relação comercial com os Estados Unidos é complementar e que Washington mantém superávit na relação bilateral. Em fevereiro de 2026, o MDIC informou que a corrente de comércio entre os dois países chegou a US$ 82,8 bilhões em 2025, com exportações brasileiras de US$ 37,7 bilhões e importações de US$ 45,1 bilhões, resultando em déficit de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.
Apesar disso, a diplomacia econômica brasileira continua acumulando atritos. O DFMobilidade já havia registrado esse ambiente de tensão em Trump chama Lula de “dinâmico”, mas reunião em Washington termina sem acordo anunciado, quando a aproximação política não se converteu em solução concreta para as tarifas.
A proposta de nova tarifa de 25% mostra que o problema deixou de ser apenas uma disputa pontual sobre produtos e passou a envolver temas sensíveis da agenda institucional brasileira, como Judiciário, ambiente digital, propriedade intelectual, corrupção e política ambiental. Na prática, Washington coloca sobre a mesa uma cobrança ampla, enquanto Brasília tenta responder sem admitir que perdeu margem de manobra.
Também pesa nesse tabuleiro o histórico de sanções, restrições e cobranças envolvendo autoridades brasileiras. O DFMobilidade já publicou conteúdos relacionados, como EUA avaliam recolocar Moraes na lista da Lei Magnitsky e EUA acusam Brasil de protecionismo e listam 8 barreiras comerciais, que ajudam a entender o pano de fundo político e comercial da crise.
Se confirmada, a tarifa adicional de 25% poderá atingir setores exportadores ainda dependentes do mercado norte-americano, embora a lista de exceções proposta pelo USTR inclua determinados produtos classificados como essenciais, matérias-primas estratégicas e itens sujeitos a regimes tarifários específicos. O impacto final dependerá da versão definitiva da medida, após a fase de comentários e audiência pública.
O fato concreto é que o Brasil chega a junho de 2026 diante de uma nova advertência americana. O governo Lula, que tenta vender ao público interno uma imagem de soberania ativa, enfrenta agora uma cobrança externa dura, técnica e com calendário definido. Na diplomacia, como no comércio, bravata não paga imposto — e, quando paga, quem costuma receber a conta é o setor produtivo.
Siga o DFMobilidade no Instagram e Facebook. Compartilhe esta matéria e marque quem precisa entender os bastidores dessa nova pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil.




