O embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, saiu da agenda de obras e caiu no asfalto quente da briga política. Depois de Lula acusar o governo catarinense de não aderir a uma parceria federal de R$ 24 bilhões, Jorginho reagiu em vídeo nesta sexta-feira e foi direto ao ponto: “O problema é que mentem na cara dura”. No mesmo tom, completou: “Seus caras de pau”.
A resposta do governador mira o coração da narrativa do Planalto. Segundo Jorginho, o valor citado pelo governo federal não seria um pacote de investimento entregue ao Estado, mas um projeto de concessão para pedágio em rodovias estaduais. Em outras palavras: Brasília teria vendido como presente aquilo que, na leitura do governador, viria com cancela, tarifa e conta no bolso do motorista. Presente assim até Papai Noel cobra praça de pedágio.
Jorginho afirmou que Santa Catarina já reformou mais de 3 mil quilômetros de estradas por meio do programa Estrada Boa, sem criar novo peso tributário sobre o catarinense. Também cobrou o governo federal pela situação da BR-101, rodovia estratégica que segue como gargalo logístico no Estado. A fala veio depois de Lula subir o tom em Itajaí, ironizar a ausência do governador em agendas federais e questionar até a “massa encefálica” do adversário — um tipo de elegância institucional que não passou exatamente pelo setor de acabamento.
O episódio reforça uma marca recorrente do governo Lula: transformar entrega pública em disputa de palanque quando o adversário não aceita posar para a foto. O DFMobilidade já mostrou movimento semelhante em Lula usa fragata para falar em defesa e transforma crise com Trump em palanque de soberania e também em Lula reage a novo tarifaço dos EUA e mira Flávio Bolsonaro. Em Santa Catarina, Jorginho tentou devolver a fatura: se o governo federal quer falar de estrada, terá de explicar se está trazendo obra ou apenas preparando o troco do pedágio.




