Cerca de uma em cada cinco aeronaves pertencentes às maiores companhias aéreas da Rússia está fora de operação durante o verão no hemisfério norte.
O índice de inatividade da frota comercial atingiu a marca de 19,3%, um volume aproximadamente duas vezes maior do que a taxa considerada normal para o período sazonal.
Esse cenário reflete os impactos profundos e assimétricos das sanções ocidentais que bloquearam o acesso a peças de reposição e aos serviços de manutenção certificada.
Um levantamento técnico apontou que, do total de 673 aviões operados pelas 11 principais empresas de aviação do país, 130 encontram-se aterrados.
Essas operadoras, em conjunto, respondem por mais de 90% do tráfego interno de passageiros. O impacto logístico, no entanto, é sentido de forma desigual entre as empresas.
Operando com apoio estatal, o Grupo Aeroflot possui uma frota de 349 aeronaves e mantém uma taxa de ociosidade controlada na faixa dos 10%, contabilizando 37 aviões parados, um percentual considerado normal por especialistas de mercado.
Em contrapartida, a escassez castiga de forma mais severa as operadoras do setor privado, que acumulam um terço de suas frotas combinadas no solo.
A S7, maior companhia privada russa, lidera as baixas operacionais com 33 de seus 104 jatos paralisados, majoritariamente por problemas crônicos nos motores.
Como rara exceção logística, a companhia de baixo custo Pobeda tem conseguido manter toda a sua frota de 42 unidades do Boeing 737 em pleno voo.
A paralisação prolongada para manutenção é o gargalo central do setor aeroespacial russo. As restrições impostas após a invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022, cortaram o acesso direto das aéreas russas a componentes originais da Boeing e da Airbus, além de atualizações de software de navegação e processos de revisão técnica.
Para tentar suprir a demanda, as companhias recorreram a rotas paralelas de importação por meio de países intermediários, como Índia, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Cazaquistão.
Para compensar o desfalque nos inventários, a aviação civil russa iniciou a reativação estratégica de aviões remanescentes da era soviética que estavam em armazenamento.
As projeções apontavam para a reintrodução de 12 dessas aeronaves no início de 2026, uma manobra de contingência em resposta à baixa produção doméstica, que entregou apenas 13 unidades novas em todo o ano anterior.
A inoperância de um terço da frota privada aponta para o agravamento inevitável da situação com o envelhecimento natural das fuselagens e o esgotamento dos ciclos de vida dos componentes.




