A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, mergulhou a aviação global em uma crise profunda, marcada pela escalada dos preços do querosene e por alertas de escassez iminente na Europa.
Apesar do cenário turbulento, as companhias aéreas britânicas EasyJet e Jet2 vieram a público tranquilizar os passageiros.
O diretor-executivo da EasyJet, Kenton Jarvis, garantiu que não há problemas de abastecimento nos aeroportos em que a empresa opera.
Na mesma linha, o CEO da Jet2, Steve Heapy, confirmou que a companhia possui combustível suficiente, impulsionada pelo aumento nas importações de seus fornecedores, e descartou a aplicação imediata de sobretaxas aos clientes.
O otimismo das empresas britânicas, no entanto, contrasta com o estrago financeiro registrado no restante do setor.
O preço do combustível de aviação na Europa dobrou no último ano, atingindo US$ 187 por barril no início de maio, de acordo com a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA).
A alta asfixiou o caixa de gigantes da aviação: a Lufthansa anunciou o cancelamento de 20 mil voos ao longo de seis meses e a imobilização de 27 aeronaves, enquanto a KLM suspendeu mais de 150 rotas europeias por inviabilidade financeira.
A Turkish Airlines foi a mais impactada até o momento, cortando mais de três mil decolagens.
O impacto nos custos foi tão brutal que acelerou o colapso da companhia americana Spirit Airlines, que encerrou completamente suas operações no dia 2 de maio após sua segunda falência.
A drástica redução na malha aérea já atinge duramente a economia de destinos turísticos, como o Chipre, que registrou uma queda de até 40% no número de visitantes e uma onda de cancelamentos de hospedagens de curta temporada.
O horizonte para o mercado segue pessimista, com a Agência Internacional de Energia projetando que a Europa pode enfrentar falta física de combustível até meados de junho, fruto do corte de 40% no fornecimento global provocado pelo bloqueio marítimo.
O diretor-geral da IATA, Willie Walsh, e o CEO da United Airlines, Scott Kirby, já alertaram que o repasse bilionário chegará ao consumidor, estimando que os preços das passagens precisem subir até 20% para compensar a crise que, mesmo com a reabertura do estreito, levará meses para ser normalizada.




