Os Estados Unidos anunciaram, nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Globais Especialmente Designadas. A decisão acende um alerta imediato no Brasil e amplia a pressão internacional sobre o governo Lula no combate ao crime organizado.
Segundo o comunicado do Departamento de Estado americano, as duas facções estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil, com milhares de integrantes e histórico de ataques contra policiais, autoridades públicas e civis. Washington afirma ainda que as redes ilícitas dos grupos ultrapassam as fronteiras brasileiras e alcançam outros países da região, incluindo os Estados Unidos.
A medida não fica apenas no campo simbólico. O governo americano informou que pretende designar PCC e CV também como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho de 2026, após publicação no Federal Register. Na prática, isso pode abrir caminho para sanções, bloqueio de ativos, restrições financeiras, cooperação ampliada de inteligência e maior cerco internacional contra pessoas, empresas e redes associadas às facções.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o governo Trump continuará usando todos os instrumentos disponíveis para proteger os interesses de segurança nacional americanos e cortar o fluxo de recursos destinados a narcoterroristas. É um recado direto: para Washington, o crime organizado brasileiro deixou de ser apenas problema interno e passou a ser ameaça regional.
A decisão ocorre poucos dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmar que pediu pessoalmente ao presidente Donald Trump a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. O DFMobilidade já havia mostrado esse movimento na matéria Flávio se encontra com Trump e pede que PCC e CV sejam classificados como terroristas.
O tema também vinha sendo acompanhado pelo portal em outras frentes. Em abril, o DFMobilidade mostrou que os EUA colocavam PCC e CV na mira do terrorismo e pressionavam o Brasil em nova frente internacional. Em maio, o portal registrou que Lula tentaria frear a pressão de Trump para classificar PCC e CV como terroristas.
A posição do governo Lula, até aqui, tem sido tratar PCC e CV como organizações criminosas, não como grupos terroristas. O argumento oficial passa pela legislação brasileira, especialmente a Lei Antiterrorismo, que estabelece critérios próprios para esse enquadramento. Mas a decisão americana muda o tabuleiro: enquanto Brasília hesita, Washington carimba. E carimbo americano, nesse caso, pesa mais que discurso de palanque.
O impacto pode atingir áreas sensíveis da relação bilateral. Bancos, empresas, operadores financeiros e redes comerciais com eventual exposição indireta a grupos ligados às facções poderão enfrentar maior risco de investigação ou sanção. O combate à lavagem de dinheiro tende a ganhar centralidade, especialmente diante da atuação transnacional do crime organizado.
O anúncio também pressiona o debate eleitoral de 2026. Segurança pública, narcotráfico e soberania nacional passam a ocupar espaço de destaque na disputa política. A oposição deve usar a decisão americana para cobrar uma postura mais dura do governo federal. Já o Planalto terá de explicar por que resistiu ao enquadramento enquanto os Estados Unidos avançaram sem esperar a diplomacia brasileira terminar o cafezinho.
A partir de agora, PCC e CV entram em uma nova categoria de enfrentamento internacional. Para o Brasil, o desafio é duplo: combater facções que dominam territórios, movimentam dinheiro e atravessam fronteiras, sem transformar a própria omissão em convite para que outros países definam o tamanho do problema.
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