Flávio se encontra com Trump e pede que PCC e CV sejam classificados como terroristas

Foto: redes sociais
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) sejam classificados como organizações terroristas estrangeiras pelo governo americano.

O pedido foi apresentado após encontro no Salão Oval da Casa Branca, em Washington. A reunião foi confirmada pela Reuters, que registrou que Flávio publicou nas redes sociais uma foto ao lado de Trump no gabinete presidencial americano.

Em coletiva após o encontro, Flávio disse ter feito o pedido de forma direta. “Pedi enfaticamente que designe o quanto antes PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras”, afirmou, segundo publicação de Cláudio Dantas. O senador argumentou que as facções controlam territórios no Brasil e atuam em outros países.

A medida, se adotada pelos Estados Unidos, elevaria o tema do crime organizado brasileiro a outro patamar diplomático. O Departamento de Estado americano já havia tratado do assunto com autoridades brasileiras. Em maio de 2025, a Reuters revelou que o governo brasileiro rejeitou pedido dos EUA para classificar PCC e CV como organizações terroristas.

Na época, representantes americanos sustentaram que a classificação poderia facilitar sanções, ampliar recursos de investigação e atingir cadeias financeiras ligadas ao crime organizado. O governo brasileiro, por outro lado, argumentou que a legislação nacional trata PCC e CV como organizações criminosas, e não como grupos terroristas.

No Brasil, a Lei nº 13.260/2016 disciplina o terrorismo e estabelece critérios específicos para esse tipo de enquadramento. A interpretação do governo Lula é que facções voltadas ao tráfico, à lavagem de dinheiro e ao controle territorial devem ser combatidas como crime organizado, sem receber o carimbo de terrorismo.

O assunto já vinha sendo acompanhado pelo DFMobilidade. Na matéria “Lula tentará frear pressão de Trump para classificar PCC e CV como terroristas”, o portal mostrou que o tema havia entrado na agenda bilateral entre Brasil e Estados Unidos, com preocupação do governo brasileiro sobre eventuais efeitos jurídicos, econômicos e diplomáticos da medida.

A iniciativa de Flávio Bolsonaro coloca o senador em rota de colisão direta com a posição adotada pelo Palácio do Planalto. Enquanto o governo Lula tenta conter a pressão americana e preservar a leitura jurídica brasileira, Flávio aposta na aproximação com Trump para endurecer o discurso contra as facções criminosas. É a velha diplomacia brasileira descobrindo que, quando o crime organizado atravessa fronteiras, a conta também atravessa.

Além do pedido sobre PCC e CV, Flávio também afirmou que pretende, caso eleito, integrar o Brasil à iniciativa Escudo das Américas, voltada ao combate ao narcotráfico e à articulação regional em segurança. O senador ainda defendeu maior parceria estratégica com os Estados Unidos, inclusive em áreas como terras raras e minerais críticos.

O encontro com Trump ocorre em ano eleitoral no Brasil e tende a ampliar o debate sobre segurança pública, soberania nacional e cooperação internacional. De um lado, a oposição tenta transformar o combate ao crime organizado em bandeira central. Do outro, o governo federal busca evitar que uma classificação externa produza impactos políticos e diplomáticos dentro do país.

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