Brasil e Estados Unidos iniciam nesta segunda-feira, 31 de agosto, uma nova etapa das negociações para tentar reduzir as barreiras impostas aos produtos brasileiros. A reunião virtual está prevista para as 14h30 e terá, pelo lado brasileiro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, além de representantes do Itamaraty. Do lado americano, a interlocução será comandada pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
A retomada ocorreu depois da conversa telefônica de 21 de agosto entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O desafio brasileiro, porém, está longe de ser apenas diplomático: Washington já colocou em vigor uma sobretaxa de 25% sobre determinados produtos nacionais, após investigação da Seção 301, e outra cobrança de 12,5% relacionada à fiscalização de importações produzidas com trabalho forçado. Segundo levantamento oficial brasileiro, as medidas atingem 23,1% das exportações do país aos Estados Unidos.
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Nesta rodada, Brasília tenta concentrar a discussão nas tarifas e ampliar o número de produtos protegidos das sobretaxas. Não há, contudo, expectativa de um acordo imediato. A decisão americana de julho foi sustentada por Washington em críticas que incluem comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado brasileiro de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
A reunião representa a reabertura de uma porta que passou meses praticamente emperrada, mas não significa que Trump tenha recuado. O governo Lula chega à mesa tentando recuperar espaço para exportadores brasileiros depois de as tarifas já terem entrado em vigor. O diálogo voltou; a conta comercial, por enquanto, continua sobre a mesa — e Washington parece disposto a cobrar antes de conceder descontos.




