André Esteves se reúne com Trump nos EUA e entra no centro da reaproximação entre Brasil e Washington

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O banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, reuniu-se por cerca de 45 minutos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no sábado (29), no Trump National Golf Club, nos arredores de Washington. A conversa contou ainda com Susie Wiles, chefe de gabinete da Casa Branca, e ocorreu de forma reservada. O Palácio do Planalto foi previamente informado sobre a agenda. O calendário público presidencial confirma a presença de Trump no clube naquele dia, embora o encontro com Esteves não tenha constado da programação oficial divulgada à imprensa.

 

A reunião ocorre justamente quando Brasil e Estados Unidos tentam reconstruir o diálogo comercial depois de meses de tensão provocada pelas tarifas impostas por Washington. Trump ouviu avaliações de Esteves sobre a economia brasileira e o cenário latino-americano. Outros relatos apontam que temas como energia, minerais estratégicos e infraestrutura de data centers estão entre os interesses econômicos em discussão entre investidores brasileiros e americanos. Não houve anúncio público de acordo ou compromisso firmado durante a conversa.

 

O movimento ganha peso porque Esteves mantém interlocução com diferentes campos do poder brasileiro. O banqueiro esteve recentemente com Flávio Bolsonaro e, já de volta ao país, tem participação prevista nesta segunda-feira (31) em jantar promovido por Lula com empresários e representantes do sistema financeiro no Palácio da Alvorada. Assim, em questão de dias, o dono do BTG passou pelas mesas de Trump, da oposição brasileira e do presidente da República — uma posição privilegiada num momento em que política, comércio e eleição começam a dividir a mesma conta.

 

Enquanto o governo Lula retoma oficialmente as negociações comerciais com Washington, a movimentação de Esteves mostra que parte da reconstrução da relação bilateral também está acontecendo fora dos canais tradicionais da diplomacia. Para o Planalto, o desafio será transformar essa abertura empresarial em resultado concreto, sobretudo na tentativa de aliviar as tarifas americanas. Afinal, em Washington, acesso à sala é importante; o que realmente vale é o que sai dela.

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