Carlos Monforte morre aos 77 anos e deixa legado de pioneirismo no telejornalismo político brasileiro

Memória/divulgação
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O jornalista Carlos Monforte morreu nesta segunda-feira, 31 de agosto, aos 77 anos, em Brasília. Um dos rostos mais conhecidos da cobertura política brasileira durante décadas, Monforte construiu uma trajetória de quase 40 anos na televisão e marcou especialmente o jornalismo produzido a partir da capital federal. A morte foi confirmada nesta manhã. Embora haja informação de que ele vinha enfrentando problemas de saúde e fazia tratamento contra um câncer, a causa específica do falecimento não havia sido oficialmente informada até a publicação desta reportagem.

 

Nascido em Santos, São Paulo, em 3 de julho de 1949, Carlos Américo Aguiar Monforte começou no jornalismo antes mesmo de concluir a faculdade, trabalhando no jornal A Tribuna. Formou-se em 1972 e passou posteriormente por O Estado de S. Paulo. Chegou à TV Globo em 1978 e, quatro anos depois, assumiu a editoria de Política do Jornal da Globo. Em janeiro de 1983, tornou-se o primeiro editor-chefe e apresentador do Bom Dia Brasil, telejornal criado em Brasília com forte vocação para a cobertura política e econômica. Monforte permaneceu nove anos à frente do programa e tornou-se um dos pioneiros do modelo de jornalista que acumulava apresentação e comando editorial no país.

A trajetória de Monforte também atravessou episódios decisivos da política nacional. Em 1994, ele estava diante do então ministro da Fazenda Rubens Ricupero quando uma conversa ocorrida antes de uma entrevista foi captada por antenas parabólicas, episódio que ficou conhecido como “escândalo da parabólica” e terminou com a saída de Ricupero do governo. Nos anos seguintes, Monforte participou de coberturas envolvendo Presidência da República, Congresso Nacional, CPIs e grandes debates econômicos, além de comandar entrevistas com alguns dos personagens mais influentes do poder em Brasília.

 

Na GloboNews, a partir de 1998, Monforte comandou entrevistas no Espaço Aberto, apresentou o Jornal das Dez e, no fim de 2000, assumiu a coordenação do canal em Brasília. Deixou a Globo em 2016, encerrando uma das trajetórias mais longevas da cobertura política da emissora. Sua morte representa a despedida de uma geração que ajudou a transformar Brasília não apenas em fonte das notícias nacionais, mas também em um dos principais centros de produção do telejornalismo brasileiro.

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