PT e PSB transformam palanque da esquerda em ringue por poder

Foto: Divulgação
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A esquerda brasiliense entrou oficialmente na fase do fogo amigo. A disputa entre Leandro Grass, escolhido pelo PT para concorrer ao Governo do Distrito Federal, e Ricardo Cappelli, pré-candidato do PSB, deixou de ser uma divergência administrável e virou confronto público. Depois de ser chamado de “arrogante” pelo deputado Chico Vigilante, Cappelli respondeu classificando o petista como “braço esquerdo de Ibaneis” e prometeu divulgar cargos comissionados e contratos ligados ao parlamentar no governo local. A unidade progressista, pelo visto, durou até alguém perguntar quem ficaria com a cabeça da chapa.

Essa guerra nada mais é que diversionismo, apenas ganhar espaço na mídia.

 

A troca de acusações chegou às direções nacionais do PT e do PSB, que avaliaram como equivocadas tanto a provocação de Vigilante quanto a reação explosiva de Cappelli. O problema é que os dois partidos sustentam o governo Lula e poderão precisar dividir o mesmo palanque em um eventual segundo turno no DF. Antes de enfrentar Celina Leão, portanto, os aliados resolveram disputar entre si o título de principal representante da oposição — uma espécie de prévia eleitoral na qual todos saem menores.

 

O argumento do PSB é que Cappelli teria maior capacidade de crescer fora do eleitorado tradicional da esquerda. Rodrigo Rollemberg defende que o ex-interventor poderia agregar apoios mais amplos, embora os números atuais indiquem outra realidade: na pesquisa Exata OP, Grass aparece com 15,8% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto Cappelli registra 6,4%. O impasse confirma a análise publicada pelo DFMobilidade em PT e PSB se unem no país, mas no DF a esquerda chega dividida e distante do Buriti.

 

Quem agradece é Celina Leão. Enquanto PT e PSB gastam energia produzindo dossiês, acusações e testes de pureza ideológica, a governadora permanece na liderança e observa a oposição fragmentar o próprio eleitorado. O cenário já havia sido antecipado em “Briga” da esquerda escancara racha na nominata do DF, PT quer todas as vagas. Na política, adversário dividido costuma ser meio caminho andado — e, neste caso, PT e PSB parecem dispostos a pavimentar juntos a estrada da continuidade.

 

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