Governadora afirmou no LIDE que herdou déficit de quase R$ 5 bilhões, crise no BRB e fila de 33 mil cirurgias, mas sustentou que sua gestão já contratou 20 mil procedimentos e reorganiza as áreas prioritárias
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, usou discurso nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026, durante evento do LIDE, para apresentar um balanço direto dos primeiros desafios enfrentados à frente do Palácio do Buriti. Em tom de prestação de contas, Celina afirmou que encontrou uma fila de 33 mil cirurgias em espera, um déficit financeiro de quase R$ 5 bilhões e um problema “muito grave” no Banco de Brasília, o BRB. O 7º Brasília Summit ocorreu no Hotel Brasília Palace e reuniu autoridades, empresários e especialistas para debater perspectivas da economia e inteligência artificial na gestão pública.
“Eu abri uma fila de 33 mil cirurgias em espera, mas eu já contratei 20 mil”, declarou Celina. A governadora emendou a frase que marcou o discurso: “Ou seja, eu tenho o problema, mas eu sei enfrentá-lo”. A fala buscou transmitir a imagem de uma gestão que reconhece os gargalos, mas tenta responder com medidas concretas, especialmente na saúde pública, área que segue como uma das maiores cobranças da população do DF.
Celina afirmou que recebeu o Governo do Distrito Federal com dois grandes desafios simultâneos. “Eu peguei o GDF com dois grandes desafios, que era a questão financeira. Eu peguei com um déficit financeiro de quase 5 bilhões, peguei com um problema do BRB muito grave e eu dei solução para todos esses problemas”, disse.
A fala reforça a narrativa que já vinha sendo construída pela governadora desde a crise envolvendo o BRB e o Banco Master. Como o DFMobilidade mostrou na matéria “Celina Leão garante R$ 1 bilhão e afasta crise no BRB”, o governo local passou a tratar a recomposição financeira do banco como prioridade estratégica para proteger a instituição e preservar a confiança no sistema econômico do Distrito Federal.
No mesmo discurso, Celina sustentou que adotou corte de gastos e reorganização dos recursos públicos. “Eu cortei gastos, eu usei de forma eficiente os recursos, eu estou ampliando os atendimentos nas áreas prioritárias, que é a demanda da população, que é a saúde”, afirmou.
A governadora também associou a solução dos problemas administrativos à capacidade de gestão. Para ela, a população quer saber se o governo tem condições de organizar o Estado e entregar serviços. “Eu acho que a população está preocupada se você tem condição de realmente organizar o Estado”, declarou.
O discurso ocorre em meio a um momento de reposicionamento político de Celina no comando do GDF. Em maio, ela já havia elevado o tom ao afirmar que herdou crise no BRB e rombo bilionário nas contas públicas. Na ocasião, conforme registrou o DFMobilidade em “Sucessão nunca será submissão”, Celina marcou distância entre lealdade política e autonomia administrativa.
No LIDE, a governadora insistiu no argumento de que sua gestão já apresentou resultados em prazo curto. “Eu acho que em menos de 60 dias eu mostro isso, que eu resolvi o problema do BRB, estou resolvendo os problemas das finanças públicas e estou entregando muito mais na área da saúde”, afirmou.
Celina também defendeu publicamente a solidez do BRB durante o evento. Segundo publicação do próprio LIDE, ela pediu que clientes retomem a confiança na instituição e declarou que o banco demonstrou força após atravessar o período de instabilidade. O tema foi um dos eixos políticos da participação da governadora no encontro empresarial.
Na prática, o discurso de Celina buscou condensar três frentes de governo: recuperação fiscal, estabilização do BRB e ampliação dos atendimentos na saúde. É o tipo de fala que mira a gestão, mas também conversa com 2026. Afinal, em Brasília, quando uma governadora diz que encontrou rombo, crise e fila, mas afirma que está entregando solução, o recado não fica restrito à planilha. Vai direto para o tabuleiro político.




