O segundo dia da paralisação dos caminhoneiros autônomos em Santos, no litoral paulista, terminou marcado por violência nesta terça-feira (14). Durante uma confusão na região da Alemoa, principal acesso ao Porto de Santos, um policial militar desferiu um soco no rosto de um manifestante, que caiu imediatamente. Imagens registraram o golpe e passaram a circular nas redes sociais. O sindicato da categoria reconheceu que houve excessos durante o confronto, inclusive por parte de manifestantes.
A mobilização havia começado na segunda-feira (13) para pressionar o Senado a votar a Medida Provisória 1.343/2026, conhecida como MP do Frete. A proposta reforça a fiscalização do piso mínimo do transporte rodoviário de cargas e amplia as punições contra empresas que contratam fretes abaixo da tabela oficial. A paralisação afetou as operações portuárias e deixou seis dos 36 navios atracados sem operar, segundo a Autoridade Portuária de Santos.
A tensão nas ruas serviu como retrato de um problema empurrado até o limite do prazo legislativo. Na noite de terça-feira, o Senado aprovou a MP, mas retirou do texto o piso salarial mensal de R$ 5 mil para caminhoneiros empregados, mantendo mecanismos como o registro das operações e o endurecimento da fiscalização. A matéria agora segue para sanção presidencial.
O DFMobilidade já havia mostrado que os caminhoneiros preparavam a paralisação para pressionar o Senado e que a alta do diesel havia colocado uma nova greve no radar. A aprovação da medida encerrou a mobilização no porto, mas o soco registrado em vídeo deixa uma questão que não pode ser arquivada junto com a votação: a atuação policial durante o protesto precisa ser apurada com transparência.




