A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema que teria retirado bilhões de reais das aposentadorias e pensões. Entre os nomes estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral Virgílio Antônio Ribeiro Filho, o ex-diretor de Benefícios André Fidelis e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
O nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, não aparece entre os indiciados deste primeiro relatório, apesar de ter sido mencionado em depoimentos, mensagens, anotações e registros de viagens examinados durante a investigação. O DFMobilidade já revelou, em Investigação da PF cita mesadas e passagens de Lulinha e “Careca do INSS”, que investigadores analisavam referências ao filho do presidente, embora a própria PF tenha registrado, naquele momento, não haver indícios de participação direta dele nas fraudes.
A ausência de Lulinha na lista não significa que todas as apurações sobre as conexões atribuídas a ele tenham sido encerradas. Este primeiro relatório está concentrado principalmente no núcleo ligado à Conafer, enquanto outros braços da Operação Sem Desconto continuam sob sigilo. Em junho, o ministro André Mendonça solicitou informações sobre dados financeiros de uma empresária apontada como próxima ao filho de Lula, episódio relatado na matéria Mendonça cobra dados de amiga de Lulinha no caso do escândalo do INSS.
O relatório foi entregue ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, e deverá ser analisado pela Procuradoria-Geral da República, que poderá oferecer denúncia, pedir novas diligências ou arquivar acusações. Indiciamento não representa condenação, mas o episódio amplia o desgaste de um governo que ainda precisa explicar como aposentados foram saqueados enquanto dirigentes, lobistas e entidades circulavam com desenvoltura pelos corredores da Previdência.




