Vídeo de Nikolas sobre a Covid dobra marca informada e chega a 14 milhões em menos de quatro horas

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Produção de 12 minutos e 21 segundos recorre ao depoimento de Anthony Fauci, documentos e imagens da pandemia para questionar decisões sanitárias e reacender o debate sobre responsabilidades.

 

O vídeo “A verdade sobre a COVID — nunca foi pela ciência”, publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) às 20h12 deste domingo (2), teve alcance estimado em 14 milhões de visualizações antes da meia-noite. A primeira atualização apontava 7 milhões em uma hora e 24 minutos; às 0h05 desta segunda-feira (3), uma nova publicação informou 14 milhões, o dobro da marca anterior e menos de quatro horas depois da postagem original. O perfil que divulgou o número, porém, não informou se a contagem reúne Instagram, Facebook, X, TikTok e republicações. Na checagem dos contadores públicos, o Instagram mostrava aproximadamente 4,7 milhões de reproduções, enquanto a publicação original no X se aproximava de 400 mil; por isso, os 14 milhões devem ser apresentados como alcance agregado informado nas redes, e não como contador auditado de uma única plataforma.

 

Na gravação, Nikolas combina trechos da recente audiência de Anthony Fauci no Senado norte-americano, páginas dos diários do médico, declarações de parlamentares dos Estados Unidos e de Robert F. Kennedy Jr., além de reportagens e cenas brasileiras da pandemia. O deputado revisita o uso obrigatório de máscaras, o distanciamento de aproximadamente dois metros, o fechamento de estabelecimentos, as restrições à circulação, a vacinação e a resistência institucional ao debate sobre ivermectina e hidroxicloroquina. Também aborda pesquisas realizadas com linhagens celulares originadas de tecido fetal e sustenta que autoridades, empresas e veículos de comunicação teriam reprimido questionamentos científicos. A conclusão política apresentada pelo parlamentar é que posições defendidas por Jair Bolsonaro e Donald Trump deveriam ser reavaliadas.

 

O principal gancho do vídeo é a audiência realizada em 29 de julho de 2026 pelo Senado dos Estados Unidos. Intimado pelo comitê presidido pelo senador Rand Paul, Fauci invocou a Quinta Emenda da Constituição norte-americana e deixou de responder a mais de cem perguntas. A medida é um direito contra a autoincriminação e, juridicamente, não representa confissão de culpa. Paul anunciou que pretende submeter ao comitê uma votação por desacato, enquanto Fauci afirma ser alvo de perseguição política e diz ter seguido orientação jurídica diante do risco de novas acusações. O ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas recebeu de Joe Biden perdão preventivo relacionado a possíveis delitos federais praticados no exercício de funções públicas entre 2014 e janeiro de 2025, proteção que não alcançaria eventual conduta posterior.

 

A repercussão do material demonstra a capacidade de Nikolas de transformar assuntos complexos em conteúdo de ampla circulação, mas a audiência de Fauci não comprovou definitivamente a origem laboratorial do coronavírus nem validou medicamentos contra a Covid-19. As próprias agências de inteligência dos Estados Unidos continuam divididas entre a transmissão natural e a possibilidade de um incidente em laboratório. A FDA mantém que a ivermectina não foi aprovada para prevenir ou tratar a doença, enquanto a autorização emergencial da hidroxicloroquina foi revogada por falta de benefício comprovado e pelos riscos identificados. O vídeo, portanto, tem força como cobrança política por transparência, proporcionalidade e prestação de contas, mas suas conclusões precisam ser separadas das evidências médicas disponíveis. A emergência sanitária terminou; a pandemia, contudo, ainda não recebeu alta do debate político.

 

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