As autoridades espanholas montaram uma operação sanitária de grande porte para receber, em Tenerife, nas Ilhas Canárias, passageiros e tripulantes do navio MV Hondius, de bandeira holandesa, afetado por um surto de hantavírus. A embarcação segue para a região após registrar casos vinculados à doença, incluindo mortes, em um episódio que mobilizou governos, equipes de saúde e organismos internacionais.
Segundo o Ministério da Saúde da Espanha, o país ativou mecanismos de coordenação com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), a Comissão Europeia, Países Baixos, África do Sul, Cabo Verde e o governo das Canárias. A resposta envolve protocolos de isolamento, vigilância ativa e transferência controlada dos passageiros.
O governo espanhol informou que os passageiros que seguem a bordo estão assintomáticos. O plano prevê que os espanhóis com residência habitual no país sejam levados ao Hospital Central da Defesa Gómez Ulla, em Madri, onde cumprirão quarentena sob supervisão sanitária. Os demais passageiros deverão seguir protocolos definidos em articulação com seus países de origem.
A operação em Tenerife será feita sob forte controle sanitário. O Ministério da Saúde espanhol informou que o fundeio da embarcação em Granadilla, na ilha de Tenerife, foi considerado por razões técnicas e sanitárias, já que o porto não estaria preparado para o desembarque convencional de pessoas nesse tipo de situação.
De acordo com as informações oficiais divulgadas pela Espanha, o surto tinha oito casos vinculados até a atualização do governo, sendo três confirmados por laboratório. O balanço inclui três mortes, um paciente internado na Suíça com teste positivo, outro em unidade de terapia intensiva na África do Sul e três pacientes sintomáticos já evacuados de Cabo Verde para Amsterdã.
Apesar da gravidade dos casos, as autoridades sanitárias reforçam que o risco para a população em geral é considerado muito baixo. O Ministério da Saúde da Espanha destacou que a transmissão interpessoal do hantavírus andino é extremamente rara. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) também informa que os hantavírus são transmitidos principalmente por contato com roedores, especialmente por exposição à urina, fezes e saliva desses animais.
No Brasil, o Ministério da Saúde explica que a hantavirose é uma zoonose viral aguda. A infecção humana ocorre, com maior frequência, pela inalação de aerossóis formados a partir de urina, fezes e saliva de roedores infectados. A transmissão de pessoa para pessoa é relatada de forma esporádica na Argentina e no Chile, associada ao hantavírus Andes.
O caso do MV Hondius ganhou repercussão internacional por envolver passageiros de diferentes nacionalidades e por exigir rastreamento de pessoas que desembarcaram antes da confirmação do surto. Ainda assim, autoridades sanitárias trabalham para afastar comparações com a Covid-19. A lógica da operação é de contenção localizada, acompanhamento epidemiológico e repatriação controlada — não de alerta pandêmico global.
O episódio expõe, mais uma vez, a sensibilidade sanitária do turismo internacional em navios, onde passageiros de vários países compartilham ambientes fechados por longos períodos. A diferença, neste caso, está na natureza do agente infeccioso: o hantavírus não se comporta como os vírus respiratórios de alta transmissão comunitária, mas exige resposta rápida pela possibilidade de evolução grave em pacientes infectados.
A Espanha afirma que atua com base no Regulamento Sanitário Internacional e em obrigações humanitárias, especialmente diante da presença de cidadãos espanhóis a bordo. A prioridade, segundo as autoridades, é garantir segurança à população local, assistência aos passageiros e coordenação internacional sem improviso — porque, em crise sanitária, improviso costuma ser o passageiro clandestino mais perigoso.
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