Atriz morreu em casa, no Rio de Janeiro, de causas naturais. Em mais de seis décadas de carreira, protagonizou a primeira novela diária da TV brasileira e participou do único filme nacional vencedor da Palma de Ouro em Cannes.
A atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. A morte ocorreu por volta das 14h e, segundo informações repassadas pela família e pela assessoria da artista, foi decorrente de causas naturais. Nascida Nilcedes Soares de Magalhães, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Glória deixa três filhos e uma trajetória que se confunde com a própria formação da dramaturgia brasileira.
Muito antes de a novela se transformar no principal produto da televisão nacional, Glória Menezes já estava diante das câmeras. Após estudar na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo e participar do grupo Jovens Independentes, estreou profissionalmente em 1959 e, no mesmo ano, chegou à televisão em Um Lugar ao Sol. Em 1963, ao lado de Tarcísio Meira, protagonizou 2-5499 Ocupado, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. A parceria artística transformou-se também em uma união de quase seis décadas, encerrada com a morte do ator, em 2021.
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O cinema também reservou a Glória um lugar singular na história cultural brasileira. Convidada pelo diretor Anselmo Duarte, ela integrou o elenco de O Pagador de Promessas, produção que conquistou a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1962, feito ainda único para um longa-metragem brasileiro na principal categoria do festival. Na televisão, consolidou-se em personagens de novelas como Sangue e Areia, Irmãos Coragem, Pai Herói, Brega & Chique, Rainha da Sucata, A Favorita e Totalmente Demais, acumulando mais de 40 telenovelas na Globo.
Glória atravessou gerações sem depender de um único personagem para permanecer na memória do público. Foi mocinha, vilã, mãe, socialite, mulher popular e personagem cômica, enquanto sua imagem ao lado de Tarcísio Meira se tornou uma das mais reconhecidas da história da televisão. A morte encerra uma carreira iniciada quando a TV brasileira ainda procurava sua linguagem e deixa como legado justamente uma artista que ajudou a construí-la. Até o início da noite desta terça-feira, a família ainda não havia divulgado informações sobre velório e sepultamento.




