Lula promete reforçar Defesa e admite que soberania não pode ficar apenas no discurso

Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

Em visita ao centro nuclear da Marinha em São Paulo, presidente promete recursos para concluir submarino de propulsão nuclear; discurso ocorre semanas após ministro José Múcio expor limitações militares do país

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira, 19 de agosto, a ampliação dos investimentos brasileiros em Defesa e afirmou que a soberania nacional precisa ser sustentada por capacidade tecnológica e militar, e não apenas por discursos. A declaração foi feita durante visita oficial ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó, interior de São Paulo, onde Lula acompanhou atividades do Programa Nuclear da Marinha e recebeu uma apresentação institucional sobre o projeto.

 

Durante a agenda, Lula prometeu buscar recursos para garantir a continuidade do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear. O empreendimento faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) e é considerado pela própria Marinha um ativo de dissuasão estratégica e de proteção das águas jurisdicionais brasileiras. O presidente também relacionou o domínio da tecnologia nuclear à geração de empregos qualificados, ao desenvolvimento científico e à capacidade do país de produzir e utilizar urânio enriquecido para finalidades pacíficas.

 

Leia também no DFMOBILIDADE:

 

José Múcio admite que Brasil teria de “abrir o portão” aos EUA de Donald Trump

 

Lula usa fragata para falar em defesa e transforma crise com Trump em palanque de soberania

 

Brasil envia 10 mil militares à Amazônia diante do cerco dos EUA à Venezuela

 

“Trump age como imperador”, diz Lula em fala agressiva no G7

 

Governo Lula evita audiência e deixa tarifa virar palanque

 

Lula, Paraguai e Milei: Mercosul vira palanque eleitoral

 

O coração tecnológico do projeto está no Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE), instalado em Aramar. Segundo a Marinha, a estrutura foi concebida para reproduzir e testar em terra as condições de funcionamento da futura planta de propulsão nuclear do submarino. A Política Nacional de Defesa também estabelece que os setores nuclear, cibernético e espacial são estratégicos e que uma base industrial e tecnológica própria reduz a dependência externa do Brasil.

 

A defesa feita por Lula ganha peso político porque ocorre pouco mais de duas semanas depois de o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, reconhecer publicamente a fragilidade material das Forças Armadas diante de uma potência como os Estados Unidos. Na ocasião, Múcio afirmou, ao responder a uma hipótese de invasão norte-americana, que o Brasil teria de “abrir o portão” por não possuir equipamentos suficientes para um confronto dessa dimensão. Agora, ao prometer recursos para o submarino nuclear, Lula tenta transformar o discurso de soberania em capacidade efetiva de defesa — justamente a distância entre intenção e orçamento que seu próprio ministro havia colocado sob os holofotes.

 

Comentários

Políticas de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.