Jaques Wagner (PT-BA) deixou nesta quarta-feira (24) a liderança do governo Lula no Senado, após reunião com o presidente da República. A saída encerra um ciclo iniciado no começo da atual gestão petista e expõe uma derrota política difícil de maquiar: o Planalto perdeu seu principal operador na Casa em meio à crise provocada pela Operação Compliance Zero, que investiga o caso Banco Master.
A decisão não caiu do céu; veio depois de dias de pressão nos bastidores, cálculo eleitoral e tentativa de conter danos. Wagner foi alvo de medidas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal em apuração sobre suspeitas de benefícios econômicos diretos ou indiretos relacionados ao Master e a Augusto Lima, ex-sócio do banco. O senador nega as acusações, afirma que colaborará com as investigações e sua defesa tenta anular a operação, mas o estrago político já atravessou a porta do gabinete.

Para Lula, o movimento tem gosto de recuo. O governo tentou sustentar publicamente a confiança no aliado histórico, mas, na prática, a permanência de Wagner transformava uma investigação sensível em problema diário para o Palácio do Planalto. Como o DFMobilidade já havia mostrado em Jaques Wagner tenta sair sem carregar sozinho o peso do caso Master, a disputa deixou de ser apenas jurídica e virou também uma guerra pela narrativa — e, em Brasília, quando a narrativa precisa de muleta, é porque a perna política já falhou.
A queda do líder também reforça o desgaste de um governo que tenta chegar a 2026 sem carregar novas crises no colo. O caso já vinha rondando o entorno político do PT, como registrou o DFMobilidade na reportagem PF mira repasses do Master a empresa da nora de Jaques Wagner. Agora, com Wagner fora da linha de frente, Lula terá de escolher outro articulador para o Senado — mas a vaga aberta é menor que o problema deixado para trás.




