PF mira repasses do Master a empresa da nora de Jaques Wagner

Jaques Wagner é líder do governo no Senado - AG. Senado
Jaques Wagner é líder do governo no Senado - AG. Senado

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, a 9ª fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional. A nova etapa colocou sob pressão o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, e abriu uma nova frente política no escândalo do Banco Master.

 

Segundo a PF, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. A corporação informou ainda que os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A nota oficial não cita nominalmente os alvos, mas veículos de imprensa apontam Jaques Wagner entre os investigados da nova fase.

 

O ponto mais sensível da apuração envolve supostos repasses do Banco Master à BN Financeira, empresa ligada a Bonnie Bonilha, nora de Jaques Wagner. Conforme informações publicadas pelo UOL e pelo ICL Notícias, a PF apura valores que chegariam a cerca de R$ 12 milhões recebidos pela empresa entre 2022 e 2025. A investigação tenta esclarecer se os pagamentos tinham lastro comercial regular ou se poderiam representar vantagem indevida dentro da engrenagem de interesses do Banco Master.

 

A operação também mira a relação de Wagner com Augusto Lima, apontado como ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. De acordo com as apurações publicadas, a PF investiga ainda um imóvel em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões, que teria ligação com tratativas envolvendo o senador e pessoas próximas ao grupo empresarial.

 

O caso ganha peso político porque Jaques Wagner não é um parlamentar qualquer na Esplanada. Ele é o líder do governo Lula no Senado, operador histórico do PT e uma das vozes mais influentes do Palácio do Planalto no Congresso. Quando uma investigação desse porte encosta nesse núcleo, o problema deixa de ser apenas jurídico e passa a ser político, institucional e eleitoral. Brasília conhece bem esse roteiro. Primeiro vem a nota técnica; depois, o incêndio no plenário.

 

A nova fase da Compliance Zero ocorre poucos dias depois de o DFMobilidade mostrar que o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, elevou o tom ao falar sobre a necessidade de coragem na condução do processo. Na reportagem “É preciso ter coragem”, diz Mendonça ao se declarar o elo mais frágil no caso Master, o portal registrou que o ministro associou o avanço das investigações a um ambiente de forte pressão e possível intimidação.

 

O DFMobilidade também já havia mostrado que a crise do Banco Master atravessou o sistema financeiro e chegou ao coração do Banco de Brasília. Na matéria Daniel Vorcaro é preso em nova fase da Operação Compliance Zero, o portal explicou que a investigação apura suspeitas de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas informáticos no entorno do antigo controlador do Master.

 

No Distrito Federal, os reflexos do caso tiveram impacto direto sobre o BRB. O DFMobilidade registrou que a governadora Celina Leão buscou se afastar da operação envolvendo o Master ao afirmar que foi contrária à possível aquisição e que, sob sua condução, “não teria crise do BRB e Master”. A fala reforçou a tentativa do atual governo local de proteger o banco público brasiliense e separar a gestão atual das decisões que levaram a instituição ao centro da turbulência.

 

A própria recuperação financeira do BRB entrou na agenda do GDF. Como mostrou o DFMobilidade em Celina Leão garante R$ 1 bilhão e afasta crise no BRB, o governo local passou a tratar a recomposição da confiança no banco como prioridade estratégica. Em outro desdobramento, o portal também registrou o acordo no STF para destravar crédito de até R$ 6,6 bilhões destinado à capitalização da instituição.

 

Agora, com Jaques Wagner no centro das novas suspeitas, o caso Master deixa de ser apenas uma crise financeira com ramificações no DF. Passa a atingir diretamente o comando político do governo Lula no Senado. A pergunta que se impõe é simples: até onde ia a influência do Banco Master nos corredores de Brasília?

 

A resposta ainda depende da investigação, da análise dos documentos apreendidos e das decisões do Supremo. Mas uma coisa já está clara: o Banco Master, que nasceu como problema bancário, virou um teste de resistência para políticos, bancos, órgãos de controle e tribunais. E, em Brasília, quando dinheiro, poder e silêncio aparecem na mesma sala, raramente é para discutir educação financeira.

 

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