Senador afirma que levantamento interno da campanha já registra ultrapassagem sobre o presidente; números divulgados por institutos mostram avanço de Flávio, mas ainda não confirmam a virada
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira, 18 de agosto, em Belo Horizonte, que o acompanhamento interno de sua campanha já o coloca numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante entrevista à imprensa, Flávio declarou que seu “tracking já dá na frente”, ao sustentar que a disputa presidencial teria entrado em uma nova fase. O senador, porém, não apresentou percentuais, tamanho da amostra, margem de erro ou metodologia do levantamento citado.
Os levantamentos públicos mais recentes confirmam o avanço e a competitividade de Flávio, mas ainda não registram a ultrapassagem alegada pelo candidato. A rodada BTG/Nexus divulgada em 17 de agosto aponta Lula com 41% e Flávio com 36% no primeiro turno. Em eventual segundo turno, o placar cai para 47% a 44%, diferença de três pontos. A pesquisa ouviu 2.003 eleitores entre 14 e 16 de agosto, tem margem de erro de dois pontos percentuais e registro BR-03317/2026 no Tribunal Superior Eleitoral.
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A tendência de aproximação também aparece na Quaest. Na rodada de 5 de agosto, Lula tinha 44% contra 39% de Flávio num eventual segundo turno. Nove dias depois, o levantamento divulgado em 14 de agosto reduziu o placar para 43% a 40%. No primeiro turno, Lula aparece com 38% e Flávio com 31%. Foram realizadas 2.004 entrevistas presenciais entre 10 e 13 de agosto, com margem de erro de dois pontos e registro BR-06773/2026. A fotografia pública, portanto, mostra uma distância em redução, mas não uma inversão nacional confirmada.
O tracking citado por Flávio pode ser utilizado internamente pela campanha para orientar estratégia, agenda e comunicação, mas, sem a apresentação dos dados completos, não pode ser confrontado de forma independente com os levantamentos registrados. Pelas regras eleitorais, pesquisas destinadas à divulgação pública precisam ser registradas previamente no PesqEle, com informações sobre metodologia, amostra, financiamento e margem de erro. Por enquanto, há um dado político inequívoco: Flávio conseguiu reduzir a distância para Lula e transformar o segundo turno em uma disputa apertada; a “virada” anunciada em Belo Horizonte, contudo, ainda espera aparecer também nos números públicos.




