PF apura mensagem em que Lulinha manda emitir nota para empresário no radar da investigação

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Diálogo atribuído ao filho de Lula envolve Roberta Luchsinger e Cleber Ribas; empresa ligada ao caso acumula contratos milionários com órgãos federais

 

Mensagens obtidas de aparelhos apreendidos pela Polícia Federal colocam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, novamente no centro das investigações sobre possível tráfico de influência no governo federal. Em conversa de 24 de julho de 2023, divulgada nesta segunda-feira (17), Lulinha teria orientado a empresária Roberta Luchsinger a emitir uma nota fiscal destinada a Cleber Ribas: “Emite a NF pro Cleber”. Ela responde que já havia feito o procedimento. O diálogo integra o material analisado em inquéritos que investigam as relações do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com empresários interessados em negócios na administração pública.

 

O nome de Ribas aparece nas apurações relacionadas à 3Structure IT e à tentativa de prospecção de negócios em órgãos públicos, entre eles a Dataprev. Dados oficiais do Portal da Transparência confirmam que a 3Structure mantém contratos com o Executivo federal e registram R$ 58 milhões em recursos já recebidos. Levantamento dos instrumentos contratuais aponta cerca de R$ 85,7 milhões em contratos firmados, diferença explicada pelo fato de valor contratado e dinheiro efetivamente pago serem grandezas distintas. Ao menos cinco desses contratos foram celebrados durante o atual governo Lula, segundo o levantamento dos registros públicos.

 

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A sequência das mensagens chama a atenção porque ocorre em meio a articulações relatadas por Luchsinger com autoridades e agentes políticos. No mesmo diálogo, ela afirma ter falado com diferentes interlocutores antes da orientação sobre a nota fiscal. Em outra frente da apuração, a PF identificou pagamento de R$ 150 mil da 3Structure à RL Consultoria e Intermediações, empresa ligada a Roberta. A defesa de Cleber Ribas sustenta que a contratação ocorreu regularmente para serviços de prospecção de clientes e oportunidades de negócios no setor de tecnologia e afirma que os contratos públicos da companhia seguiram os procedimentos legais.

 

Lulinha já é investigado em diferentes frentes autorizadas no Supremo Tribunal Federal. Uma delas apura justamente sua relação com Ribas e possíveis interesses envolvendo a Dataprev; outra, autorizada pelo ministro Flávio Dino, investiga suspeita de uso de influência para favorecer empresas perante o governo federal. A defesa do filho de Lula nega irregularidades, acusa setores da PF de promover uma “pesca probatória” e questiona o vazamento de material sigiloso. Até o momento, a abertura dos inquéritos e a existência das mensagens não significam condenação nem comprovam, por si, a prática dos crimes investigados.

 

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