Ministro permanece no governo enquanto seu sócio assume o marketing eleitoral; André Mendonça exige planilhas da publicidade oficial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu retirar Sidônio Palmeira do núcleo responsável por sua campanha à reeleição. O publicitário, porém, não foi demitido da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República: continuará como ministro no Palácio do Planalto, mas ficará fora da rotina eleitoral e será consultado apenas pontualmente.
A decisão ocorreu após relatos de insatisfação de Lula com o trabalho apresentado em reuniões internas. O marketing da campanha ficará sob o comando de Raul Rabelo, sócio de Sidônio na Nordx Estratégia e Criatividade. A empresa, criada em 2022 com o nome M4 Comunicação e Propaganda, recebeu R$ 37,9 milhões da campanha que levou Lula novamente ao Planalto. A relação societária não comprova irregularidade, mas torna mais delicada a tentativa de separar a comunicação oficial do governo da estratégia eleitoral.
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O desgaste ocorre enquanto Sidônio também figura, ao lado de Lula, em uma representação que apura possíveis excessos nos gastos com publicidade institucional. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, deu dez dias para a Secom apresentar todos os empenhos realizados entre 2023 e o primeiro semestre de 2026 e determinou a preservação integral dos registros. O PL calcula que os gastos de 2026 teriam ultrapassado o limite em R$ 42,3 milhões, mas Mendonça ressaltou que as divergências metodológicas ainda não permitem afirmar que houve violação da lei.
A pressão jurídica coincide com uma eleição apertada. A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 10 de agosto, mostra Lula com 40% contra 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 47% contra 44% no segundo — empate técnico. Sidônio permanece na Secom sob apuração, enquanto seu sócio assume o marketing eleitoral. O Planalto trocou a cadeira, mas preservou o círculo: uma reorganização que pode mudar o comando formal, embora dificilmente encerre as dúvidas políticas.




