A nova rodada do Real Time Big Data acendeu um sinal de emergência no Palácio do Planalto. Em uma eventual disputa de segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 45% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro alcança 42%. Com margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico. O detalhe politicamente mais incômodo para o governo está na trajetória: Lula permaneceu nos mesmos 45% registrados em junho, enquanto Flávio avançou dois pontos. O petista parou; o adversário encostou.
No primeiro turno estimulado, Lula ainda conserva vantagem, com 40%, contra 33% de Flávio. Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista de candidatos, o presidente registra 34%, e o senador, 26%. Os números confirmam que a eleição caminha para uma polarização antecipada, deixando os demais concorrentes em posições distantes. Para um presidente que disputa a reeleição com a máquina federal nas mãos, chegar ao segundo turno dentro da margem de erro está longe de representar tranquilidade.
O avanço não aparece isoladamente. Em abril, o DFMobilidade já havia mostrado Flávio numericamente à frente de Lula em levantamento Atlas/Bloomberg. Mais recentemente, outra pesquisa revelou que Lula perdeu apoio enquanto Flávio cresceu entre beneficiários do Bolsa Família, justamente uma parcela do eleitorado tradicionalmente considerada território seguro para o PT. A soma das sondagens indica que o sobrenome Bolsonaro continua competitivo e que a tentativa governista de tratar Flávio como candidatura secundária envelheceu mal — e depressa.
O Real Time Big Data ouviu 2 mil eleitores por telefone entre os dias 18 e 20 de julho de 2026. O levantamento, financiado com recursos próprios, possui nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-05864/2026. Pesquisa não é resultado de urna, mas fotografa tendências. E a fotografia desta terça-feira mostra um governo estacionado diante de um adversário que avança e transforma a reeleição de Lula, antes apresentada como caminho natural, em uma disputa aberta e imprevisível.




