Um ato político contra a violência à mulher terminou em constrangimento para o entorno da primeira-dama Janja da Silva, em Natal. Na saída do evento “Mulheres do Time de Lula pelo Fim da Violência”, realizado na Arena das Dunas, a deputada estadual Divaneide Basílio (PT-RN) foi atingida durante uma confusão envolvendo a equipe de segurança. A ironia é dura: o palanque era contra a violência, mas a notícia saiu pela porta da truculência.
Segundo relatos divulgados pela imprensa local e por manifestações internas do PT, a parlamentar estava identificada e acompanhada de uma criança quando houve aglomeração, empurra-empurra e o fechamento brusco de uma porta. A versão posterior da própria deputada informou que não houve ferimentos graves e que o episódio foi esclarecido entre os envolvidos. Ainda assim, o caso obrigou o partido a admitir falha no cuidado com uma liderança da própria legenda.
O PT de Natal atribuiu o episódio a um agente externo à organização do evento, apontado como integrante da segurança ligada à agenda da primeira-dama. Janja, ao ser informada, teria repudiado o ocorrido e afastado o agente dos compromissos seguintes. O episódio se soma ao debate já tratado pelo DFMobilidade sobre o protagonismo político da primeira-dama, como na matéria Janja cobra atenção da imprensa e no texto Lula manda Janja a Roma com despesas pagas pelo governo.
No saldo político, o caso cria uma imagem ruim para o governo Lula: uma agenda montada para falar de proteção, respeito e igualdade acabou marcada por desorganização, tensão e pedido de solidariedade a uma deputada petista. Quando até dentro do próprio campo aliado a segurança vira problema, a narrativa oficial tropeça — e, desta vez, literalmente na porta.




