Páginas fantasmas colocam R$ 1,1 milhão na vitrine suja da guerra digital contra Flávio e Tarcísio

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Sete páginas sem responsáveis claramente identificados no Facebook e no Instagram gastaram mais de R$ 1,1 milhão, em cerca de dois meses, para impulsionar conteúdos contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo o levantamento atribuído ao jornal O Globo e reproduzido por outros veículos, os perfis tinham menos de 400 seguidores cada, mas operavam com musculatura financeira de gente grande — uma espécie de anão digital com orçamento de gigante.

O caso chama atenção menos pela crítica política — legítima em democracia — e mais pelo método: páginas recém-criadas, nomes genéricos, legendas neutras, pulverização de centenas de anúncios e sinais de coordenação, como registros semelhantes na Meta, sites criados em sequência e telefones com DDD 41. Entre os perfis citados aparecem Radar do Planalto, Dossier Brasil 24h e O Contra-Fluxo; só o Radar do Planalto teria investido R$ 373 mil, enquanto Dossier Brasil 24h e O Contra-Fluxo somariam mais de R$ 500 mil.

A ofensiva ocorreu em um momento politicamente sensível: Flávio vinha aparecendo competitivo contra Lula em levantamentos eleitorais, cenário já registrado pelo DFMobilidade em matérias como Flávio encosta em Lula e acende alerta no Planalto para 2026 e Datafolha mostra empate entre Lula e Flávio e acende alerta no Planalto. A coincidência temporal não prova autoria nem vínculo partidário, mas reforça a pergunta central: quem banca uma campanha milionária, anônima e negativa, em plena pré-temporada eleitoral?

Pelas regras da própria Meta, anúncios sobre temas sociais, eleições ou política exigem autorização e transparência do responsável; a empresa também afirma manter publicidade política disponível na Biblioteca de Anúncios por sete anos. Já a jurisprudência do TSE trata com rigor impulsionamento eleitoral negativo, anonimato, desinformação e ausência de identificação clara do patrocinador. Ou seja: a política pode até aceitar pancada, mas a urna não combina com máscara, dinheiro escondido e laboratório de ataque travestido de página independente.

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