The Economist critica Lula e alerta para fuga de investidores e risco de crise fiscal no Brasil

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A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 2026 acendeu um sinal de alerta no mercado internacional. Em editorial publicado em 27 de outubro, a revista britânica The Economist fez duras críticas à condução econômica do governo brasileiro e advertiu que o quarto mandato do petista poderá terminar em uma grave crise fiscal e recessão caso não haja mudanças na política de gastos públicos.

A reação dos investidores começou imediatamente após o segundo turno. Em 26 de outubro, o dólar disparou 8,21%, enquanto o Ibovespa despencou 13,88%, provocando a suspensão temporária das negociações na Bolsa. Investidores estrangeiros retiraram R$ 2,85 bilhões do mercado acionário brasileiro naquele pregão. O movimento revelou a desconfiança de parte do setor financeiro diante da continuidade do governo Lula, embora não represente, isoladamente, uma fuga generalizada de todos os investimentos estrangeiros.

O alerta encontra respaldo nos indicadores das contas públicas. Segundo o Banco Central, o déficit nominal do setor público alcançou R$ 1,275 trilhão nos 12 meses encerrados em setembro, equivalente a 9,51% do Produto Interno Bruto (PIB). Desse resultado, 8,99 pontos percentuais correspondem ao pagamento de juros. O Fundo Monetário Internacional projeta que a dívida bruta brasileira poderá atingir 97,8% do PIB em 2026, considerando metodologia diferente da utilizada pelo Banco Central, que registrou 82,9% em setembro.

Para a The Economist, o Brasil enfrenta uma contradição econômica: possui recursos naturais abundantes, capacidade produtiva e um mercado consumidor expressivo, mas continua comprometendo parcela elevada de sua riqueza com despesas financeiras. A publicação recomenda que Lula escolha uma equipe econômica capaz de recuperar a confiança dos investidores, apresente um programa consistente de ajuste fiscal, revise benefícios tributários e contenha o crescimento das despesas obrigatórias.

O governo federal, por sua vez, destaca os resultados de crescimento econômico e geração de empregos, além de defender a manutenção das políticas sociais. O Tesouro Nacional registrou superávit primário de R$ 4,8 bilhões em setembro, embora o Governo Central ainda acumulasse déficit de R$ 90,2 bilhões nos nove primeiros meses de 2026.

A advertência da revista britânica não significa que uma crise fiscal seja inevitável. Trata-se de uma avaliação sobre os riscos da continuidade da atual trajetória das contas públicas. A vitória eleitoral garantiu a Lula mais quatro anos no Palácio do Planalto, mas a confiança dos investidores dependerá agora das decisões econômicas do governo. Nas urnas, o presidente conquistou a permanência no poder. No mercado, terá de demonstrar como pretende financiá-la.

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