2030 é logo ali: a sucessão ao Buriti já começou na disputa pelo comando da CLDF

celina-e-welligton-2-

As urnas de 2026 mal fecharam e a corrida pelo Palácio do Buriti em 2030 já está aberta. Eleita com 57,18% dos votos válidos (987.142 votos), Celina Leão (PP) inicia seu novo governo com uma trava constitucional: como assumiu definitivamente o Executivo em março, após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB), o ciclo de 2027 a 2030 configura juridicamente sua reeleição. Impedida de disputar o próximo pleito, a governadora abre, desde já, uma disputa interna pela sua sucessão.

É nesse vácuo que a eleição para a presidência da Câmara Legislativa (CLDF) se tornou o primeiro round de 2030. Após Rafael Prudente (MDB) não viabilizar sua candidatura própria ao GDF pela centro-direita e garantir sua reeleição para continuar como deputado federal (com 119.427 votos), o MDB blindou seu espaço de poder no plano distrital. Mesmo contando com uma bancada de três deputados distritais eleitos na CLDF — Wellington Luiz, Jaqueline Silva e Hermeto, empatado como segunda maior força da Casa ao lado de PT, PP e Republicanos, atrás apenas das cinco cadeiras do PL —, o partido manteve o protagonismo por meio de Wellington Luiz. A mudança na Lei Orgânica que destrava o terceiro biênio consecutivo de Wellington na presidência da CLDF avançou por 17 votos a 6 com o aval estratégico da bancada do PT. Na prática, ao manter o comando do Legislativo com apoio até da oposição, o MDB controla a governabilidade de Celina e garante cacife para dar as cartas na escolha do candidato governista em 2030.

Enquanto a base aliada disputa espaço, os dados eleitorais acendem um alerta para a centro-direita. Entre 2022 e 2026, a esquerda expandiu de forma consistente sua fatia de votos válidos no DF. Leandro Grass (PT) saltou de 26,25% (cerca de 434 mil votos) no primeiro turno de 2022 para 42,82% (739.130 votos) no segundo turno de 2026 — um acréscimo superior a 304 mil eleitores, alavancado pela unificação progressista, pelo desgaste nos serviços públicos e pela crise do BRB. No mesmo período, Lula subiu de 41,19% para 45,72% (825.224 votos) na capital no segundo turno presidencial, e a esquerda bateu o recorde histórico de votação para deputado distrital com Max Maciel (PSOL), que somou 92.234 votos.

A matemática para 2030 não permite erros ao bloco governista: a esquerda saiu das urnas consolidando um piso competitivo próximo a 43% no Distrito Federal. Sem um governador no cargo tentando a reeleição para puxar a fila, qualquer divisão entre PP, MDB, PL e Republicanos na definição do sucessor de Celina Leão colocará a centro-direita sob risco real de derrota.

Por: Hamilton Silva – Jornalista

Comentários

Políticas de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.