A conta de luz dos brasileiros continuará pressionada, apesar da manutenção da bandeira tarifária verde em novembro. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou que não haverá cobrança adicional pela geração de energia pelo segundo mês consecutivo. Entretanto, a própria agência projeta um aumento médio de 9,4% nas tarifas ao longo de 2026, percentual superior à inflação de 5% estimada no levantamento regulatório.
A aparente contradição tem explicação. A bandeira verde elimina apenas os acréscimos associados às condições de geração de eletricidade, favorecidas pelo aumento das chuvas e pela recuperação dos reservatórios das hidrelétricas. Os reajustes anuais, porém, continuam incorporando despesas com transmissão, distribuição, compra de energia, encargos setoriais e ajustes financeiros de períodos anteriores. Na prática, a energia pode ficar mais barata para produzir sem que essa redução se traduza em uma conta menor para o consumidor.
Os números mostram o tamanho da diferença. Em setembro, uma residência com consumo de 200 quilowatts-hora pagava R$ 3,77 adicionais pela bandeira amarela, antes dos tributos. Essa cobrança desapareceu em outubro e continuará suspensa em novembro. O alívio, entretanto, pode ser neutralizado pelos reajustes já aplicados pelas distribuidoras, cujos percentuais variam conforme a região. A estimativa nacional de 9,4% não significa que todas as famílias terão exatamente esse aumento.
Outro fator de preocupação é a chegada dos meses mais quentes, quando o uso de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado tende a elevar o consumo residencial. Embora as perspectivas de chuvas favoreçam a geração hidrelétrica, não há garantia de manutenção da bandeira verde nos meses seguintes. Para o consumidor, a conclusão é simples: o sinal está verde no sistema elétrico, mas a pressão sobre o orçamento doméstico continua acesa.




