Ex-assessor de Fauci admite conspiração para esconder registros da Covid

Foto: Divulgação FBI
Foto: Divulgação FBI

David Morens reconheceu participação em esquema para driblar a Lei de Acesso à Informação dos EUA e ocultar comunicações sobre pesquisas com coronavírus; caso amplia pressão sobre o círculo de Anthony Fauci

 

David Morens, ex-assessor sênior do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID) e integrante da equipe comandada durante anos por Anthony Fauci, declarou-se culpado nesta terça-feira, 18 de agosto, de conspiração para cometer crimes e fraudar os Estados Unidos. Segundo o acordo judicial, o esquema buscava contornar pedidos feitos com base na Freedom of Information Act (FOIA) e as regras federais de preservação de documentos, especialmente em comunicações relacionadas a financiamentos de pesquisas sobre coronavírus.

 

A admissão de culpa atinge um dos personagens que ocupavam posição privilegiada no aparato sanitário americano durante a pandemia. Morens reconheceu que ele e outros envolvidos passaram a utilizar sua conta pessoal do Gmail para retirar do sistema oficial comunicações que poderiam ser requisitadas pela legislação de transparência. As conversas envolviam esforços para restaurar um financiamento destinado a pesquisas com coronavírus de morcegos, do qual parte dos recursos havia sido repassada ao Instituto de Virologia de Wuhan. Os documentos judiciais também descrevem troca de informações internas do NIH e articulações para influenciar decisões sobre o financiamento.

 

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O processo trouxe ainda um ingrediente pouco científico para uma história envolvendo ciência e dinheiro público. Morens admitiu participação em uma conspiração envolvendo gratificações ilegais: um dos envolvidos enviou vinho à residência do então funcionário e chegou a mencionar outras vantagens, como refeições em restaurantes estrelados. O acordo também relaciona o episódio à produção de um artigo científico defendendo a origem natural da Covid-19. Morens pode receber pena de até cinco anos de prisão. Após a confissão, o diretor do FBI, Kash Patel, informou que a investigação permanece em andamento e resumiu a posição da agência: ninguém está acima da lei.

 

O avanço do processo não significa, porém, que Anthony Fauci tenha sido condenado ou responsabilizado criminalmente pelos atos admitidos por Morens. O nome do ex-diretor do NIAID permanece no centro do debate porque Morens trabalhou em sua estrutura e investigações do Congresso já levantaram questionamentos sobre comunicações internas daquele período. A culpa confessada nesta terça-feira pertence, até aqui, a Morens. O que muda é o patamar da discussão: aquilo que antes era tratado apenas como suspeita de ocultação de registros agora inclui uma admissão formal de conspiração em tribunal federal — enquanto o FBI deixa claro que ainda não fechou a conta da pandemia.

 

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