A Polícia Federal ampliou o rastreamento financeiro do caso Banco Master e identificou seis empresas ligadas, direta ou indiretamente, a Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA). O levantamento integra o inquérito que apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo interesses da instituição financeira. Em junho, o Supremo Tribunal Federal autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero, com buscas na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.
O principal ponto da apuração envolve a BN Financeira, empresa que tem como sócia Bonnie Toaldo de Bonilha, esposa de Eduardo. Segundo o relatório, mensagens encontradas no celular do empresário Augusto Lima registrariam cobranças feitas pelo enteado de Wagner relacionadas a compromissos financeiros do grupo Master. Os investigadores identificaram ainda um repasse de R$ 3,5 milhões à empresa, realizado por meio da PKL One Participações.
A PF também tenta esclarecer se os pagamentos ao núcleo empresarial da família mantinham relação com o suposto apoio político à tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília. Em uma das peças encaminhadas ao STF, os investigadores sustentam, em caráter indiciário, que os repasses e a movimentação parlamentar poderiam integrar um mesmo circuito de contrapartidas. Entre as empresas mapeadas está uma antiga floricultura que, em janeiro, mudou de nome e passou a atuar no setor de tecnologia — uma transformação societária que despertou a atenção da investigação.
Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado em 25 de junho, uma semana após a operação, mas permanece no mandato de senador. O petista nega ter atuado em benefício do Banco Master, e sua defesa contesta medidas adotadas no inquérito. Até o momento, não há condenação, e o mapeamento empresarial não significa que todas as companhias tenham cometido crimes. A investigação, contudo, aproxima o escândalo bancário de um dos nomes históricos do governo Lula — e, quando a PF começa a seguir empresas, mensagens e dinheiro, o discurso político costuma perder espaço para os extratos.
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