A Fifa decidiu colocar uma lupa sobre si mesma ao escalar um quadro argentino para comandar França x Marrocos, pelas quartas de final da Copa do Mundo. Facundo Tello será o árbitro principal, com Juan Pablo Belatti e Gabriel Chade como assistentes, Darío Herrera como quarto árbitro e Cristian Navarro como reserva. A escolha pode até caber no regulamento, mas passa longe do bom senso esportivo. Em mata-mata de Copa, aparência de isenção também joga — e a entidade resolveu entrar em campo marcando contra.
O problema não está em afirmar, sem prova, que haverá favorecimento. Isso seria irresponsável. O ponto é outro: a Fifa criou uma zona de desconfiança desnecessária justamente num jogo que envolve a França, uma das seleções mais fortes do torneio, rival recente da Argentina em decisões e potencial obstáculo em uma reta final de Mundial. Quando a entidade máxima do futebol escala árbitros de um país ainda vivo na competição para um confronto tão sensível, oferece munição para suspeitas, teorias e cobranças. Depois reclama quando a arquibancada vira tribunal.
A polêmica cresce porque o Mundial já vinha acumulando ruídos sobre arbitragem, VAR e bastidores. O DFMOBILIDADE mostrou isso em Trump aperta a Fifa, salva artilheiro dos EUA e põe árbitro brasileiro no olho do furacão, caso que expôs a pressão política sobre decisões esportivas. Também acompanhou a sobrevivência argentina em Messi comanda virada dramática e Argentina passa de fase na Copa, uma classificação marcada por drama, reclamações e clima de desconfiança nas redes.
A Fifa não precisava dessa vitrine negativa. Poderia ter escolhido uma equipe de arbitragem sem qualquer vínculo simbólico com seleções ainda candidatas ao título e encerrado o assunto antes de ele nascer. Preferiu o caminho mais barulhento. No futebol moderno, onde cada frame vira prova e cada apito vira julgamento público, a neutralidade não basta ser técnica: precisa parecer inquestionável. E, nesse quesito, a Fifa entrou em campo perdendo de goleada para a própria imprudência.




