Após a goleada por 4 a 1 sobre os EUA nesta segunda-feira, os jogadores da Bélgica admitiram que o caso Balogun serviu de motivação para o duelo nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O meia Tielemans, um dos destaques da equipe, disse que a seleção belga decidiu “responder em campo” à decisão da Fifa de liberar o atacante americano, que deveria ter cumprido suspensão por ter sido expulso na partida anterior, contra a Bósnia.
— Não vou esconder: tivemos uma reunião quando recebemos a notícia (da liberação de Balogun), e dissemos que teríamos que responder em campo — afirmou Tielemans, em declarações reproduzidas pela agência de notícias AFP. — Tínhamos realmente muita raiva e muita vontade de começar bem a partida, algo que estava faltando a nós no início do torneio.
Outro que falou com jornalistas após a partida, o volante Raskin criticou “coisas extracampo” que aconteceram antes da partida contra os EUA.
— Havia um sentimento de injustiça no grupo e tínhamos muita vontade de responder em campo — declarou.
Fotografado consolando Balogun após a partida, o técnico Rudi Garcia, da seleção belga, preferiu atribuir a vitória ao “plano de jogo” implementado por sua equipe contra os EUA. Na véspera da partida, Garcia havia ironizado a decisão da Fifa de liberar o atacante americano.
Já após a vitória da Bélgica nesta segunda-feira, o treinador disse que a situação envolvendo Balogun “não influenciou” o resultado, segundo a agência AFP.
— Havia 11 jogadores dos EUA do outro lado, e tanto faz quem estava em campo — afirmou o treinador.
Ao jornal The New York Times, o treinador da Bélgica explicou o momento após a partida dizendo que a iniciativa do contato partiu de Balogun.
— Ele veio falar comigo, e eu gostei disso. Não é culpa dele, ele não merece ser culpado por nada. Eu disse isso a ele — declarou Garcia.
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Balogun havia recebido cartão vermelho na partida entre EUA e Bósnia, em decisão do árbitro brasileiro Raphael Claus após ser chamado pelo VAR para revisar um pisão do atacante americano em um adversário.
O caso mobilizou dirigentes da federação dos EUA e até o presidente americano Donald Trump, que pressionaram a Fifa a reverter a suspensão automática que Balogun deveria cumprir contra a Bélgica. A decisão foi criticada pela federação belga.
Nesta segunda-feira, Trump admitiu ter pedido a Infantino uma “revisão” da expulsão de Balogun contra a Bósnia por discordar da marcação do árbitro brasileiro:
— Eu vi o lance. Sou uma pessoa que adora esportes, fui um bom atleta e entendo muito de esporte. Aquilo não foi falta. Nem sequer foi uma infração. Eram dois jogadores correndo em alta velocidade que simplesmente se chocaram. E aquele árbitro… é um pouco suspeito. Não gosto de criar polêmica, mas foi muito suspeito. Ele tomou uma decisão em que ninguém conseguiu acreditar. Até as pessoas do outro lado diziam: “Tivemos sorte”. Foi algo muito interessante – afirmou o presidente dos EUA.
Também nesta segunda, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, admitiu ter falado ao telefone com Trump sobre o assunto, mas afirmou que não interfere em decisões disciplinares e que os órgãos judiciais da entidade “são independentes”.
“Os órgãos judiciais da Fifa atuam de forma autônoma, aplicam o Código Disciplinar da Fifa e decidem os casos com base nos regulamentos aplicáveis e nos fatos específicos apresentados. Sua independência é essencial para a credibilidade e a integridade do futebol, e isso deve ser sempre respeitado”, afirmou Infantino.
Logo após a expulsão de Balogun, começou a circular entre a comunidade de futebol dos Estados Unidos a informação de que Claus teria sido investigado num esquema de manipulação de resultados no Brasil. A informação, que não procede, também foi publicada pela imprensa tradicional americana.
O Globo




