“Trump age como imperador”, diz Lula em fala agressiva no G7

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom contra Donald Trump nesta quarta-feira, 17 de junho, ao reagir às declarações do presidente dos Estados Unidos sobre a política brasileira. Em entrevista durante a cúpula do G7, na França, Lula mandou um recado direto ao republicano e afirmou que Trump não deve interferir nas eleições do Brasil.

A frase mais dura veio quando Lula classificou atitudes recentes do governo americano como “coisa desaforada” e disse que Trump ainda estaria “agindo como imperador”. A declaração reforça o tom agressivo adotado pelo petista diante das pressões comerciais e políticas vindas de Washington.

O embate começou depois de Trump afirmar que o Brasil seria um país “perigoso politicamente” e comentar, de forma equivocada, que “Bolsonaro Jr.” teria sido preso. A fala fazia referência ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal, mas que não foi preso.

Lula reagiu com ironia e provocação. Disse que Trump conhece pouco o Brasil e defendeu o sistema eleitoral brasileiro. Em uma das falas mais ácidas, afirmou: “Da próxima vez, vou levar a urna eletrônica para ele ver como funciona”. A frase, embora apresentada como ironia, teve endereço claro: rebater a desconfiança lançada por Trump sobre o ambiente político brasileiro.

O presidente brasileiro também declarou que Trump pode ter preferência política, inclusive por integrantes da família Bolsonaro, mas advertiu: “não se meta nas eleições do Brasil”. A resposta coloca a disputa presidencial de 2026 no centro da tensão entre os dois governos. Segundo a Reuters, Lula deve disputar a reeleição em outubro, enquanto Flávio Bolsonaro aparece como principal adversário no campo da direita.

A tensão entre Lula e Trump já vinha sendo acompanhada pelo DFMobilidade. Antes da cúpula, o portal mostrou que Lula embarcou ao G7 sem reunião formal com Trump, expondo o limite da tentativa do Planalto de transformar a viagem em vitrine diplomática.

O clima ficou ainda mais simbólico quando Trump, ao chegar a uma reunião com líderes mundiais, disse “eu sou o chefe”. Como mostrou o DFMobilidade em Trump diz “eu sou o chefe” diante de Lula e líderes mundiais no G7, a fala foi tratada como brincadeira, mas carregou forte recado político no ambiente da cúpula.

A reação de Lula também ocorre em meio ao avanço de pautas sensíveis entre Brasil e Estados Unidos. O DFMobilidade já havia mostrado, em Em carta a Rubio, Flávio pede que EUA não imponham novas tarifas ao Brasil, que a oposição tenta se apresentar como canal de interlocução com Washington diante das pressões comerciais americanas.

Outro ponto de atrito é a decisão dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como organizações terroristas. Em EUA oficializam PCC e CV como organizações terroristas, o DFMobilidade mostrou que a medida ampliou o desconforto do governo Lula com a política externa de Trump.

A fala agressiva de Lula revela que o encontro do G7 não produziu apenas debates diplomáticos. Produziu também um novo capítulo da disputa política entre Brasília e Washington. De um lado, Trump mira o Brasil com críticas ao ambiente político e acenos à família Bolsonaro. Do outro, Lula responde com ironia, ataques verbais e defesa da soberania nacional.

Em ano pré-eleitoral, a temperatura subiu. E, pelo tom dos dois lados, a diplomacia entrou em campo usando terno, mas calçando chuteira.

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