O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo norte-americano não imponha novas tarifas a produtos brasileiros. A movimentação ocorre em meio ao aumento da tensão comercial entre Brasília e Washington, após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos propor uma tarifa de 25% sobre importações do Brasil.
A carta tenta afastar a oposição brasileira da acusação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que atribuiu a Flávio e Eduardo Bolsonaro responsabilidade política pela nova pressão tarifária. Na prática, Flávio busca apresentar a interlocução com Washington como uma tentativa de proteger empresas brasileiras, e não como instrumento de desgaste econômico contra o país. Política externa, nesse caso, virou ringue eleitoral — com luvas diplomáticas, mas cotovelada aparente.
A proposta norte-americana foi enquadrada no mecanismo da Seção 301, usado pelos Estados Unidos para investigar práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano. O documento oficial do USTR cita temas como comércio digital, meios de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. A tarifa sugerida é de 25% sobre bens brasileiros, com exceções para determinados produtos.
O processo ainda não está encerrado. O USTR abriu prazo para comentários públicos até 1º de julho de 2026 e marcou audiência para 6 de julho, em Washington. Isso significa que a medida ainda está em fase de consulta e pode sofrer alterações antes de eventual aplicação.
O episódio ocorre poucos dias depois de Flávio Bolsonaro intensificar agendas nos Estados Unidos, onde se reuniu com figuras do governo Trump e tratou de temas como tarifas, crime organizado e minerais estratégicos. A Reuters informou que o senador esteve na Casa Branca em 26 de maio de 2026 e discutiu assuntos bilaterais com Donald Trump, em encontro fechado no Salão Oval.
A crise também se mistura à segurança pública. Na semana passada, Marco Rubio anunciou que os Estados Unidos pretendem classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras a partir de 5 de junho de 2026. A medida foi celebrada pela oposição brasileira, mas recebida com resistência pelo governo Lula, que alegou preocupação com soberania nacional.
No DFMobilidade, o tema já vinha sendo acompanhado no contexto da relação entre Brasil e Estados Unidos. Em Trump chama Lula de “dinâmico”, mas reunião em Washington termina sem acordo anunciado, o portal mostrou que o encontro entre Lula e Trump abriu canal diplomático, mas não produziu solução concreta para o impasse comercial. Em Após tarifaço de 50% dos EUA, Lula aciona Lei da Reciprocidade, o portal também registrou a tentativa do governo brasileiro de reagir às medidas norte-americanas por meio da Camex.
O ponto central, agora, é saber se a carta de Flávio terá algum efeito prático na decisão americana ou se servirá apenas como peça política em uma disputa que já ultrapassou o campo comercial. Para Lula, a sobretaxa reforça o discurso de pressão externa. Para Flávio, a carta tenta virar o jogo e apresentar a oposição como ponte de diálogo com Washington.
Enquanto isso, quem exporta continua esperando uma definição. E, no comércio internacional, espera demais costuma sair caro.
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