A Volkswagen confirmou nesta quinta-feira que vai reduzir sua linha global de veículos em até 50%, marcando o início da reestruturação mais profunda da montadora em quase nove décadas de atuação no mercado.
A decisão estratégica, validada pelo conselho de supervisão na sede em Wolfsburg, visa concentrar os recursos operacionais e logísticos apenas nos segmentos de maior rentabilidade.
Com a mudança, o portfólio de configurações e opcionais dos carros também pode despencar em até 75%.
O movimento é uma resposta agressiva aos altos custos de produção, ao excesso de capacidade fabril instalada e à fortíssima pressão exercida pelas montadoras chinesas, além do impacto das recentes tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos.
O choque na cadeia produtiva será severo.
O plano de reestruturação prevê o fechamento de quatro grandes complexos industriais na Alemanha, localizados em Hanover, Zwickau, Emden e uma unidade da Audi em Neckarsulm, e o corte dramático de até 100 mil postos de trabalho em todo o grupo, afetando um em cada seis funcionários da companhia no mundo.
A medida atropela os acordos prévios firmados com os sindicatos no final de 2024 e já enfrenta forte resistência do poderoso sindicato dos metalúrgicos IG Metall e do governo da Baixa Saxônia, que detém 20% das ações e teme o colapso econômico das comunidades que dependem do ecossistema fabril da empresa.
Para o diretor-executivo Oliver Blume, o cenário representa um verdadeiro teste de sobrevivência.
A meta de capacidade produtiva anual já foi revisada de 12 milhões para 9 milhões de veículos, evidenciando o desafio existencial que as marcas tradicionais enfrentam na transição elétrica perante a eficiência logística e os preços predatórios das gigantes asiáticas.




