A Volkswagen está avaliando a possibilidade de vender a icônica fabricante italiana de motocicletas Ducati, atualmente sob o guarda-chuva de sua divisão de luxo Audi.
A movimentação faz parte de uma ampla e rigorosa revisão estratégica do vasto portfólio corporativo do grupo alemão.
O CEO da Audi, Gernot Döllner, confirmou a reavaliação em entrevista recente, destacando que a Ducati está entre os 600 dos 2.000 negócios da companhia que passam por escrutínio no momento.
Embora o executivo tenha reforçado o compromisso da empresa com uma “gestão de portfólio disciplinada”, ele frisou que nenhuma decisão final foi tomada até o momento.
O debate sobre o futuro da montadora de Bolonha, adquirida pela Audi em 2012, resgata um impasse histórico dentro da Volkswagen.
Em 2017, a matriz tentou negociar a marca de motocicletas de alta performance para levantar capital durante a crise do escândalo de emissões de diesel (Dieselgate), mas a venda foi sumariamente bloqueada pela forte oposição dos representantes sindicais alemães, que detêm metade das cadeiras no conselho de supervisão.
Atualmente, especialistas de mercado estimam que a Ducati poderia ser avaliada em cerca de 1,25 bilhão de euros. Resta saber se, diante do cenário atual, os sindicatos apresentarão a mesma resistência de outrora.
A nova rodada de especulações ocorre em um momento de extrema pressão financeira para a fabricante europeia.
No primeiro semestre de 2026, as vendas da Audi recuaram 7%, impactadas pela agressiva concorrência das montadoras chinesas e pelos efeitos das recentes tarifas americanas.
Como reflexo da crise, o conselho de supervisão da Volkswagen aprovou na última semana um plano drástico de cortes de empregos para combater a ociosidade produtiva.
Com rumores também rondando uma possível cisão da Lamborghini e após a captação recente de 7,4 bilhões de euros com a venda de seu negócio de motores marítimos, o CEO da Ducati, Claudio Domenicali, já se antecipou afirmando que a marca de motos possui força e independência suficientes para sobreviver sem o suporte de sua atual acionista.




